Bandarra e teca são as duas espécies mais indicadas para o cultivo de café arborizado em Rondônia. É o que mostra uma pesquisa realizada durante dez anos pela unidade da Embrapa instalada no Estado. No ano de 2000, no município de Machadinho d’Oeste , foram plantadas lavouras de café conilon em consórcio com quatro diferentes arbóreas: bandarra, teca, cedro australiano e pinho cuiabano. Uma década após o início dos experimentos, as duas primeiras espécies apresentaram as melhores características de crescimento, sombreamento e produtividade, além de uma série de benefícios ambientais.
|BARRA_AUDIO|
A técnica do café arborizado é comum nos cafezais da América Central, principalmente em Costa Rica, e da América do Sul, sobretudo na Colômbia e Venezuela. Ela consiste na recuperação do cultivo original do café, que surgiu como um cipó, dentro das matas. Foi apenas com estudos, experiências e melhoramentos, com o objetivo de aumentar a produtividade, que a cultura tomou o formato de monocultivo. No caso dos produtores de Rondônia, entretanto, esse formato entrou em decadência, o que incitou a criação de novas alternativas.
— Por volta do ano de 2000 houve uma decadência nos cafezais de Rondônia pelo baixo preço e pela degradação das áreas. Havia a necessidade de renovar os cafezais e, na época, a região contava com um grande plantio de seringueira. Nesse momento surgiu a ideia de introduzir a cafeicultura nas linhas dos seringais — explica a pesquisadora Vanda Gorete Rodrigues, da Embrapa Rondônia.
As tentativas foram bem-sucedidas. Das quatro espécies testadas, duas apresentaram bons resultados. A bandarra, de copa rala e a teca, com formato ereto, possibilitaram a porcentagem ideal de sombreamento, com queda das folhas no período em que o café mais precisa de sol. O pinho cuiabano, de copa muito densa, ofereceu um espaço de 70% de sombra, que deveria ser reduzido a 30% com o auxílio de mão-de-obra, o que tornou a produção mais cara. No caso do cedro australiano, foram observados muitos problemas de doenças e ataque de pragas.
Benefícios da técnica
O café arborizado apresenta vantagens econômicas e ambientais. Na questão econômica, a técnica oferece uma diversidade de produtos dentro de uma mesma área. A produção pode variar entre madeira, frutas, óleo, produtos medicinais e muitas outras possibilidades. Ao oferecer sombra, a arbórea também melhora o microclima da lavoura e, no caso de espécies oleaginosas, incorpora nitrogênio no solo, permitindo que a queda das folhas forme uma camada de matéria orgânica no solo, chamada liteira. Isso traz uma série de benefícios ambientais: evita o surgimento de plantas daninhas, diminui o uso de mão-de-obra, reduz a necessidade de herbicidas e aumenta a capacidade de retenção de água do solo.