Um dos maiores empecilhos para o crescimento da cultura do algodoeiro no Nordeste é a ocorrência de pragas na região. O bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) e a lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella) podem fazer com que se obtenha baixa produtividade ou se perca plantações inteiras. A Embrapa Tabuleiros Costeiros verificou cultivares do algodão no município de Porto da Folha (SE) para verificar a ocorrência de pragas.
Apesar da boa condução do plantio, houve ataque drástico de várias pragas, sendo determinantes os ataques do bicudo e da lagarta-rosada, ocorridos a partir do florescimento das plantas. O ataque afetou da mesma forma as oito cultivares plantadas, causando uma perda de 100% na produção. Embora as plantas estivessem bonitas e vegetando normalmente, todos os botões florais foram atacados e a maioria deles caíram.
O bicudo tornou-se uma das principais pragas do algodão e a que mais causa prejuízos à lavoura. Ele causa a queda anormal de botões florais e flores, e uma única estrutura reprodutiva sua pode abrigar várias larvas. Ataca os botões e as maçãs jovens, onde a fêmea ovoposita por meio de um orifício, que é fechado em seguida com uma secreção amarela para proteger o ovo no interior do algodão. De cinco a sete dias depois, os botões caem e a reprodução completa seu ciclo, em torno de duas a três semanas. Os adultos vivem de 20 a 40 dias e as fêmeas põem em média 150 ovos.
A lagarta-rosada também é uma praga de grande importância e seu ciclo é de 21 a 45 dias. O adulto, de hábito noturno, vive de cinco a sete dias e seu aparecimento começa a partir dos 70 dias, no início do florescimento. Seu ataque é fácil de ser percebido porque as flores atacadas não abrem (rosetadas). Nos frutos, as larvas penetram logo após a eclosão, alimentando-se das sementes no interior. Seu ataque estendeu-se também ao cultivo do algodão colorido.
Saiba mais sobre o assunto
Ataque simultâneo de bicudo e lagarta-rosada em algodoeiros no sertão Sergipano