A legislação federal brasileira prevê o uso de cinco por cento de biodiesel na composição do óleo diesel. Dentre as potenciais culturas geradoras de energia, está o pinhão manso, que, ao contrário da grande maioria, não tem vocação alimentar. Das sementes do seu fruto se pode extrair até 38% de matéria-prima.
O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) possui, atualmente, 18 linhas de pesquisa sobre a planta, observando desde propriedades específicas até conservação e técnicas de acondicionamento. Considerada recalcitrante, a semente perde germinação rapidamente.
Por meio de cruzamentos entre os padrões ideais encontrados nas espécies de pinhão regional, a equipe coordenada pelo pesquisador Marcio Adonis vem aplicando técnicas de enxertia como a mergulhia e a estaquia nos processos de seleção. A diversidade climática do estado exige alto nível de adaptabilidade.
— Além da inconstância do clima, temos mudanças bruscas de altitude em pouca distância, por exemplo, em 40 quilômetros subimos do nível do mar a 800 metros. Então, para proporcionar retorno de investimento ao produtor durante todo o ciclo são necessários testes em diferentes ambientes — revela, Adonis.
De acordo com ele, as experiências de campo do instituto indicam quatro cultivares muito promissoras. Algumas propriedades já produzem cerca de seis mil quilos por hectare. Além disso, a tendência é internacional e atualmente uma empresa italiana está fomentando a cultura no norte capixaba, com objetivo de dar início à fabricação de biodiesel em 2010.