Biomonitoramento da qualidade da água na aquicultura é descrito em Circular Técnica da Embrapa

Método oferece uma certa vantagem em relação às análises químicas ou físico-químicas que só podem indicar a qualidade da água de um dado momento

Embrapa Meio Ambiente
Manejo

Pesquisadores e técnicos do Laboratório de Ecossistemas Aquáticos da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) estudam o biomonitoramento da qualidade da água na aquicultura com coletores usando macroinvertebrados bentônicos.

O termo macroinvertebrados bentônicos se refere a um grupo de animais que vivem no fundo de qualquer ambiente aquático. São animais de tamanho relativamente grande (visíveis ao olho humano), sendo selecionados em redes de no mínimo 0,20 mm (ou 200 µm).

Compreendem, principalmente insetos, moluscos (caramujos, mexilhões), oligoquetos (vermes), hirudíneos (sanguessugas) e crustáceos (caranguejos e camarões - pitus) sendo que dentre esses predominam os insetos, em especial, em suas formas imaturas (antes de chegarem à fase adulta).

Conforme a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Mariana Silveira Moura e Silva, coordenadora da pesquisa, “estes animais são amplamente usados para biomonitoramento, pois possuem várias características desejáveis para um indicador. Destaca-se sua grande variedade de espécies, com hábitos alimentares e formas de vida diferentes, associados à qualidade da água em que se encontram. Eles podem indicar as alterações ambientais a médio e longo prazo, pois possuem o ciclo de vida que pode se estender desde alguns dias a meses, dependendo da espécie”.

“Isto oferece uma certa vantagem em relação às análises químicas ou físico-químicas que só podem indicar a qualidade da água de um dado momento. Para utilizá-los como bioindicadores, pode-se atribuir valores para cada tipo de macroinvertebrado bentônico, baseados nas diferentes respostas desses organismos às alterações ambientais (grau de sensibilidade ou de tolerância)”.

Outra maneira de se utilizar estes organismos como bioindicadores que não seja a pontuação é por meio dos índices estruturais, tais como o número de espécies (riqueza taxonômica), diversidade e índice de dominância.

Identificação dos animais
A triagem do material encontrado é feita utilizando uma lupa de aumento ou mesmo a olho nu, dependendo do tamanho do animal. Em áreas de pesquisa da Embrapa Meio Ambiente, como por exemplo o Circuito das Águas Paulistas (Monte Alegre do Sul e Socorro, SP), foram identificados alguns macroinvertebrados bentônicos bioindicadores que permitem auxiliar na determinação da boa ou má qualidade da água nos viveiros de piscicultura.

A pesquisadora enfatiza que “o uso de coletores de substrato artificial para o biomonitoramento da qualidade da água na aquicultura se apresenta como uma tecnologia de monitoramento viável para seu emprego por produtores, uma vez que utiliza material de baixo custo e de fácil confecção, instalação e manuseio. Ademais, a identificação dos organismos bentônicos por meio de ilustrações permite, de uma maneira fácil e objetiva, inferir sobre a qualidade da água com base na sensibilidade de cada organismo à poluição.

Para baixar a Circular Técnica 23 clique aqui. Nela, pode-se saber mais sobre tipos de coletores, materiais para sua confecção, procedimento de campo e desenhos para identificação dos animais.