A Embrapa Soja investe na inclusão de forrageiras tropicais em sistema produtivo da cultura sob Plantio Direto. A ideia é garantir a sustentabilidade das lavouras diante de eventos climáticos extremos. No entanto, as perdas frequentes em decorrência das secas dos últimos anos têm direcionado os trabalhos para a retenção da umidade no solo.
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"A cobertura do solo |
— Na safra de 2008/2009, algumas localidades da região norte do Paraná ficaram sem chuva durante 45 dias, atingindo perdas de 80 % da colheita — revela o pesquisador Henrique Debiasi.
Além de aumentar a matéria orgânica e conservar a água no solo, as características de alcance radicular dessas gramíneas perenes, permitem que a soja também explore reservatórios hídricos mais profundos.
— Esses fatores associados resultam na diminuição da compactação do solo, facilitando bastante a infiltração e armazenamento de água — diz ele.
A difusão das braquiárias ruzizienses e brizantha nas unidades de observação, instaladas em propriedades no Paraná e Mato Grosso, tem apresentado potencial para gerar até dez toneladas de massa seca por hectare ao ano. Deste modo, a redução da evaporação é de 40% durante os estágios iniciais de desenvolvimento da soja.
Nos anos de chuvas mais escassas, o ganho de produtividade alcança 20%, já nos períodos normais esse aumento fica entre 5 e 10%. Embora o índice de retorno econômico ainda esteja sendo avaliado, segundo Debiasi, a tecnologia não só potencializa a colheita, como reduz os custos de produção.
— A cobertura do solo por mais tempo possibilita o controle de ervas daninhas, abreviando o uso de herbicidas — informa.
Os experimentos primam pela aplicabilidade prática e vem sendo bem conduzidos pelos produtores em municípios com diferentes perfis. O pesquisador ressalta que a consideração correta do intervalo médio de 40 dias entre controle químico das forrageiras e o plantio da soja é fundamental para o sucesso da prática.
