Brasil já tem quatro variedades de abacaxi resistentes à fusariose

Principal doença da cultura causa apodrecimento dos frutos e morte das mudas; melhor forma de controle é através do uso de cultivares resistentes

Juliana Royo
Sanidade Vegetal

A fusariose é uma grave doença que afeta a produção de abacaxi no Brasil, Bolívia e Venezuela. Ela é causada por um fungo e pode destruir 80% da plantação com o apodrecimento dos frutos e morte das mudas, principalmente na época de chuvas e de temperaturas amenas perto dos 24º. A melhor forma de controle é a preventiva para evitar que a fusariose entre na plantação e não seja necessário o uso de químicos. Por isso, a forma mais eficaz de combater o fungo é o uso de variedades resistentes. O Brasil já dispõe de quatro delas, a Imperial, Vitória e Ajubá, desenvolvidas pela Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, e a IAC Fantástico, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas, em São Paulo.

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O problema se agrava porque a maioria das mudas brasileiras de abacaxi estão infectadas com a doença, tornando a compra de mudas sadias muito difícil, o que reforça a necessidade do plantio de variedades resistentes. Outra doença que afeta o abacaxizeiro e também traz problemas de perda é a podridão do olho, que é causada por um fungo de solo e também causa a morte do olho da planta. O manejo das doenças do abacaxi no Brasil é feita através do manejo integrado, que preza pelo mínimo uso de agrotóxicos.

— O controle químico é uma ferramenta que ajuda, mas nós temos que trabalhar com outras práticas culturais para evitar ao máximo os químicos. Nós temos que trabalhar com o controle integrado, que começa pela utilização de mudas sadias, o que é um pouco difícil porque a maioria das mudas já estão infectadas. Depois da indução floral, para que o abacaxi solte o fruto, o produtor vai ter que fazer um controle químico dependendo da época de indução e da intensidade de plantas mortas durante a fase de crescimento da cultura. A gente deixa claro que a última aplicação do fungicida deve ser feita quando as flores se fecharem, para temos ainda um período de três meses da última aplicação até a colheita do fruto. Este período de três meses é suficiente para que o fungicida se degrade e não tenha resíduo no fruto quando for consumido — explica o engenheiro agrônomo e doutor em fitopatologia Aristóteles Pires de Matos, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.