Brinco eletrônico: rastreamento seguro e confiável de bovinos

Identificadores eletrônicos ajudam a controlar a quantidade do rebanho de forma segura e rápida, erradicando doenças e garantindo a certificação de sua origem

Pedro Zuazo
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Um mecanismo simples, eficaz e quase infalível para identificar e rastrear bovinos. Esse será o produto final de uma pesquisa da Embrapa Pecuária Sudeste que desenvolve um brinco eletrônico e um software capazes de gerenciar as informações dos animais desde o nascimento até o abate. A rastreabilidade da carne é obrigatória para os exportadores do mercado europeu e se tornou um passaporte para o mercado internacional. No Brasil, muitos pecuaristas ainda gravam as informações manualmente, mas a tendência é acompanhar a modernização da técnica, que já foi adotada em vários países do mundo.

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O pesquisador responsável, Waldomiro Barioni Junior, explica que o objetivo é integrar todas as informações em um sistema eletrônico único, que vai garantir a credibilidade da informação para a fiscalização e os frigoríficos:

— As identificações, hoje, são feitas por brinco visual, marca de fogo ou código de barras e exigem que os vaqueiros ou peões anotem manualmente o manejo. Muitas vezes há desentendimentos quando gritam os números dos animais ou os brincos vêm sujos de lama ou o código de barras não consegue ser lido. Com a tecnologia de radiofrequencia isso não será mais problema, pois, mesmo com o brinco sujo, poderá ser feita a leitura correta dos dados. Os pecuaristas terão mais confiabilidade com as informações, vão economizar em tempo e ainda terão uma ferramenta para gerenciar todos os dados de forma eletrônica — explica.

O brinco eletrônico, na forma de botton, é aplicado na orelha do bezerro logo após o nascimento, com alicates bem aferidos, sem causar mal estar ou ferimentos ao animal. A aplicação é rápida e simples, assim como a remoção. A identificação é feita através de leitores sem fio, pela tecnologia de radiofrequencia. O aparelho é manipulado por peões ou vaqueiros, que podem cadastrar informações como raça, peso, idade, vacinas, vermífugos e todo o manejo feito com o bovino até o abate. Os dados são enviados por internet ou através de um cabo RS232.

O aparelho, que é desenvolvido e comercializado pela AnimalTag e pela 3WT, está sendo testado em cerca de mil animais há mais de dois anos. Até agora, nenhum brinco falhou, mas alguns apresentaram problemas de leitura. Estima-se uma taxa de perda de identificação de 1,5%, o que, na opinião de Barioni, é um resultado positivo, pois o número é inferior ao limite de 3,5% definido pelo protocolo australiano como o máximo admissível de perda para um sistema eficaz. De acordo com o pesquisador, o gerenciamento manual de informações apresenta um percentual de erros de 10%.

O trabalho está sendo testado em campo e a previsão é que seja validado em dezembro deste ano. A tecnologia deve chegar aos pecuaristas no início de 2010.