Considerada uma cultura estratégica não só no Brasil mas em todo o mundo, em razão das suas aplicações, a mamona tem como principal produto derivado o óleo. Estudos da Embrapa Algodão reuniram esforços de pesquisadores, durante alguns anos, no sentido de sintetizar uma nova cultivar, a BRS Energia. Um dos responsáveis pelo experimento, o chefe geral da empresa, Napoleão Esberard, explica que essa cultivar não é um híbrido, porém uma variedade sintética de ciclo curto.
— A BRS Energia é uma mamona diferenciada por possuir um alto teor de óleo. Leva-se de 90 a 120 dias entre o período do plantio à colheita, dependendo da temperatura — aponta o pesquisador.
Uma das vantagens da nova variedade, que é recomenda para condições de sequeiro ou irrigado no Nordeste, é a colheita mecânica e manual de uma só vez. O pesquisador lembra que 30% da mamona é casca, sendo o restante apenas semente, o que faz com ela seja uma excelente fonte de óleo para refino químico e para várias aplicações industriais, como lentes de contato e tecidos. Segundo o pesquisador, o melhoramento feito para obter a BRS Energia consiste em três processos básicos: introdução com aclimatação, seleção de plantas e hibridação.
— Aplicamos nesse melhoramento as plantas intermediárias através de seleção recorrente. A base do material foi da Costa Rica, sendo melhorado aqui no Brasil, aclimatada e selecionada até gerar a variedade BRS Energia. Todo ano temos material que pode ou não entrar no sistema, desde que tenha produtividade a mais ou uma característica que se sobressaia em relação aos materiais incutidos. Atrás de todo esse material, há um sistema de produção, visto que a variedade é só um elemento do sistema de cultivo — completa.
Com resultado positivo e validado, o Estado do Ceará, que é um dos maiores produtores de mamona do Brasil, possui hoje uma área com 35 mil hectares. A expectativa agora é atingir 80 mil hectares na próxima safra, o que beneficiará milhares de produtores.