A Embrapa Amazônia Ocidental registrou no Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento mais uma nova cultivar de guaraná, a BRS - Luzéia. Desde a década de 70, a unidade de Manaus (AM) desenvolve um programa de melhoramento genético do guaranazeiro (Paullinia cupana var sorbilis).
Cerca de 30% dos municípios amazonenses utilizam a guaranaicultura para fins comerciais. Segundo os pesquisadores Firmino José do Nascimento Filho, André Luiz Atroch, José Clério Rezende Pereira e José Cristino Abreu de Araújo essa é uma atividade perene e de forte demanda por mão-de-obra, especialmente na época da coleta de frutos. Isso contribui para a fixação do homem do campo, prevenindo o êxodo rural.
A nova espécie está entre as cultivares de alto potencial produtivo e com resistência às principais doenças da cultura, contribuindo para a sustentabilidade desta cadeia produtiva, através do aumento da diversidade genética na produção de guaraná. Durante sete ciclos produtivos avaliou-se a BRS - Luzéia, em diferentes condições, no Estado do Amazonas. E, durante este período, ela mostrou altos níveis de defesa contra a antracnose, doença causada pelo fungo Colletotrichum guaranicola.
A pesquisa demonstra que a cultivar dispensa quaisquer medidas de controle de doenças, visto também ter apresentado grande resistência às hipertrofias da gema floral e da gema vegetativa. No máximo 9% de gemas foram atacadas pelo fungo Fusarium decemcellulare, que causa superbrotamento.
Outra vantagem da BRS - Luzéia é o potencial produtivo, ela chega a produzir 1,60 kg de semente seca por planta, podendo-se obter rendimento de 640 a mil quilos por hectare ao ano.