A BRS Seda, cultivar de gergelim lançada pela Embrapa Algodão, foi adaptada às condições semiáridas do Nordeste e alguns estados do Centro-Oeste, e avaliada sob o ponto de vista das linhagens com características diferenciadas, como a indeiscência, onde as sementes ficam aderidas ao fruto mesmo depois de secas.
Ao longo dos últimos três anos, o programa realizado nas diversas unidades da Embrapa vêm trabalhando nas suas estações experimentais para o desenvolvimento de novas cultivares. O principal objetivo do programa de melhoramento genético do gergelim é identificar genótipos produtivos com alto teor de óleo (acima de 50%) e tolerantes às principais doenças da cultura.
— Hoje, nós trabalhamos basicamente na linha de pesquisa em três segmentos: identificando materiais produtivos pelas próprias características do que se tem na coleção, fazendo o cruzamento dos melhores materiais para que se possa agregar características agronomicamente adequadas e identificando nesses genótipos características que possam elevar bastante a produtividade na cultura, como a indeiscência dos frutos — explica a pesquisadora responsável Nair Helena Arriel.
Quando o gergelim está maduro, pronto para ser colhido, ele abre seu fruto e se a colheita não for feita antes da abertura completa, as sementes se perdem, reduzindo em até 50% a produção. O diferencial dessa cultivar é a característica de indeiscência. Com os frutos fechados durante todo período de secagem das plantas no campo, a maioria da produção será garantida. Isso significa um crescente aumento de produtividade, pois todo potencial da cultura pode ser explorado.
— A metodologia consiste em avaliar de 15 a 25 genótipos, em cada experimento, nos ensaios implantados a partir de arranjos de treinamentos estatísticos, que permitem amostragem e repetições para que possamos identificar esses materiais naquele local. E fazer uma análise conjunta desses mesmos ensaios em vários ambientes, para que possamos garantir a adaptabilidade dos materiais nas diversas regiões — descata Nair Helena.
Os resultados demonstram que esse material é muito adequado para o cultivo mecanizado, facilitando a colheita do produtor da região Nordeste, por exemplo, que é manual, evitando que se tenha problemas de perdas de sementes por conta do atraso na colheita.