
Será em fevereiro durante a DINAPEC (Dinâmica Agropecuária na Embrapa Gado de Corte) em Campo Grande, MS, que a Embrapa fará a apresentação de um novo capim para pastagens, a ser lançado em parceria com a UNIPASTO - Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras Tropicais (www.unipasto.com.br). Trata-se da BRS Tupi, cultivar de B. humidicola adaptada a solos de baixa e média fertilidade e tolerante a alagamentos temporários assim como a variedade comum e a cultivar Llanero conhecida como dictioneura. O lançamento oficial ocorrerá em junho de 2011, durante a FEICORTE, em SP, e as sementes estarão disponíveis exclusivamente nas empresas cooperadas da UNIPASTO a partir de setembro de 2011.
A cultivar Tupi é resultado de seleção massal, em populações derivadas de uma planta trazida do Burundi, no leste da África, pelo CIAT-Centro Internacional de Agricultura Tropical, com sede na Colômbia que realizou viagens de coleta entre 1984 e 1985 no continente africano. Os trabalhos de avaliação e seleção foram coordenados pela Embrapa Gado de Corte e conduzidos em diversas regiões do Brasil. Nas avaliações regionais, a BRSTupi se destacou por seu vigor, produtividade e boa distribuição da produção ao longo do ano, além de boa persistência sob pastejo, capacidade de suporte e desempenho animal. Esta cultivar foi registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em maio de 2004 e recebeu o certificado de cultivar protegida em julho de 2009.
A BRS Tupi forma touceiras atingindo altura vegetativa de 50-75 centímetros, mas é estolonífera como as outras duas cultivares de B. humidicola. Devido a seu intenso perfilhamento forma estandes densos tendendo ao acamamento se não manejados mais intensamente. Para diferenciá-la das outras duas, basta observar as bainhas das folhas que são estriadas, com pilosidades claras chamadas de tricomas, enquanto as da humidicola comum são glabras, i.e. sem pelos. A cv. Tupi tem 36 cromossomos, enquanto a comum e a Llanero possuem 54. As anteras são de cor amarelo clara, em contraste com o roxo da cultivar comum, e os estigmas são de cor vermelho tinto, enquanto na Llanero, esse órgão é branco com pontas roxas e, na humidicola comum, roxo escuro a preto.
Essa nova cultivar tem boa produção de sementes e destaca-se pela taxa de crescimento e disponibilidade de folhas sob pastejo, superior à da cultivar comum. Uma reportagem sobre a cv. BRS Tupi foi publicada na DBO Rural de dezembro de 2010 e resumo resultados de experimentação sob pastejo. Em experimento conduzido na Embrapa Acre pelo pesquisador Carlos Maurício Soares de Andrade, a BRS Tupi apresentou maior quantidade de massa seca de folhas na estação seca e menor de colmos nas águas, tendo resultado daí uma melhor relação folha/colmo durante o período de avaliação. As avaliações a pasto indicaram maior ganho de peso individual na seca, em razão de sua melhor relação folha/caule e boa digestibilidade (50 a 61% nas folhas e 42 a 48% nos colmos). Os animais ganharam 214 g contra 84 g/cabeça/dia da cultivar comum. No ano, sua produção foi 16,4% superior comparada à humidicola comum, principalmente na seca, quando sustentou lotação mais alta e garantiu produção de mais peso vivo por hectare.
Nos testes com as cigarrinhas-das-pastagens Notozulia entreriana e Deois flavopicta, a nova cultivar apresentou resistência por tolerância, isto é, a cv. BRSTupi, como as duas outras, são boas hospedeiras do inseto, mas não sofreram danos severos a campo. No entanto, ao se comparar o nível de resistência por tolerância, a BRS Tupi suportou mais os ataques do inseto do que a comum.
A BRS Tupi é, portanto uma excelente alternativa de diversificação de pastagens com qualidade e produtividade, para áreas úmidas ou com drenagem deficiente onde hoje são plantadas unicamente a humidicola comum e a cv. Llanero
Foto da cv. BRS Tupi em Campo Grande, MS em ensaio sob pastejo
