Bubalinocultura: manejo etológico é essencial para alta produção de leite

Estudos preliminares apontam aumento de 30% na produtividade porque animal não está estressado e relaxa na ordenha

Juliana Royo
Manejo

O manejo etológico se baseia no bem-estar animal e busca a tranquilidade da búfala na sua criação e, principalmente, na hora da ordenha para que ela esteja relaxada e possa produzir maior quantidade de leite. A palavra etologia quer dizer estudo do comportamento. É isto que o bubalinocultor Alberto de Gusmão Couto está fazendo há 26 anos, desde que decidiu abandonar a plantação de cana-de-açúcar para virar criador de búfalos. Ele estuda o comportamento dos seus animais e está desenvolvendo estudos para quantificar o impacto do bem-estar na produção leiteira. Estudos preliminares indicam aumento de 20% a 30% na produção, mas Couto acredita que este número possa chegar a 50%, dependendo das condições da fazenda.

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— A búfala precisa entrar para a ordenha tranquila, sem estresse, porque existe um hormônio chamado ocitocina que é o hormônio que faz com que a búfala libere o leite. Se ela tomar um susto ou tiver estressada entra em ação a adrenalina, que é o hormônio antagônico à ocitocina. Por isso, é importante que ela esteja bem tranquila para que não haja esta descarga de adrenalina e ela possa produzir bastante. É preciso tocar o animal devagar, sem bater, sem espancar, sem gritar. O búfalo é um animal que gosta muito de carinho — ensina Couto, que também tem uma empresa de laticínios.

O bubalinocultor faz questão de ressaltar que os estudos sobre o aumento da produtividade ainda não são definitivos, porque a técnica do manejo etológico ainda é muito desconhecida no Brasil, mas ele dá exemplos bastante significativos da produção leiteira da sua fazenda. Enquanto a média no país é de 1.600 quilos de leite por lactação de búfala, a fazenda de Alberto Couto produz cerca de 2.600 quilos de leite por lactação de búfala e ele acredita que este ótimo resultado é efeito do maior respeito ao animal. Segundo ele, a Itália, que trabalha com búfalas há décadas, tem produtividade média de 2.200 quilos de leite por lactação.

A búfala não produz números expressivos, se comparada com a vaca, mas Couto diz que a qualidade do leite que é produzido compensa a falta de quantidade. Ele cita exemplos da produção de queijo na sua empresa que usa tanto leite de búfala quanto de vaca e ilustra a diferença.

— Existe uma grande diferença de rendimento. Para fazer queijo coalho eu uso cinco litros de leite de búfala, enquanto eu preciso de dez litros de leite de vaca. Além disso, o preço do queijo de búfala é maior. A mussarela de búfala, por exemplo, custa o dobro da mussarela convencional. Na verdade, a mussarela foi criada na Itália com o leite de búfala — explica o bubalinocultor.

"Estudos prelimi-
 nares indicam
 aumento de 20%

 a 30% na produção"

 Alberto de Gusmão Couto