Os rebanhos bubalinos do Vale da Ribeira, no sul de São Paulo, estão sofrendo perdas significativas com o problema da baixa ingestão de suplementos minerais. Apesar de os criadores locais terem tradição na criação de búfalos, a região fica localizada em uma área costeira, próxima ao mar, o que provoca uma saturação das pastagens com o sódio proveniente da maresia. Essa questão, aliada ao fato de que os bubalinos são animais rústicos, e, portanto, têm exigências nutricionais menores que as dos bovinos, leva o rebanho a ingerir menos suplementos. Uma maneira de reverter o processo é induzir a ingestão forçada nos animais.
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A deficiência nutricional causada pela baixa ingestão de suplementos minerais pode piorar a performance dos animais e comprometer a produção de leite e carne. Por isso, é preciso estudar a forma mais adequada de manejo e encarar o problema sem amadorismo. É o que diz Fabio Garcia Ribeiro, gerente de pecuária de leite da Connan (Companhia Nacional de Nutrição Animal).
— É uma questão muito mais complexa do que simplesmente fornecer mineral para o animal. Não adianta nada, por exemplo, fazer uma ingestão forçada num animal que não vai responder a esse estímulo geneticamente. Por isso é preciso fazer uma análise econômica da situação, além de trabalhar com bom senso e profissionalismo. Trata-se de uma questão de gerenciamento, que exige muito conhecimento do mercado e do sistema — explica.
Uma forma de realizar a ingestão forçada do suplemento é fornecê-lo diretamente na ração, colocando um palatabilizante, que pode ser milho, melaço, polpa cítrica, enfim, qualquer alimento que atraia o animal para procurar mais o cocho.
— Você vai pegar um produto pronto, fabricado pelas empresas de suplementação e vai adicionar um pouco de palatabilizante. Pode ser aquele encontrado na própria indústria, como melaço, ou aquele palatabilizante à base de chocolate e baunilha, ou o produtor pode ainda usar farelo de milho, polpa cítrica, enfim, é questão de consultar um nutricionista que possa orientar essa suplementação — diz Ribeiro.
A prática da suplementação mineral já é comum em várias regiões de atividade pecuária. Um exemplo é o Pantanal, onde há grande oferta de fósforo, o que causa um aumento na concentração de sódio na pastagem. Nesse caso, a técnica é utilizada para fazer com que os animais consumam mais minerais e tenham uma melhor resposta de produtividade.