Atingindo bons resultados no Semiárido nordestino, a variedade de milho Caatingueiro já é bastante utilizada pelos agricultores da região e, se bem manejada, promete bons resultados. Com produtividade que pode chegar a 80 sacas por hectare e custo médio de produção de R$700 também por hectare, a cultura pode trazer até 100% de lucro para o pequeno agricultor. Segundo Hélio Wilson Carvalho, pesquisador na área de melhoramento genético de plantas da Embrapa Tabuleiros Costeiros, a principal vantagem do milho Caatingueiro é o ciclo bastante curto em relação aos outros materiais da região.
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— Os outros materiais estão propiciando a perda de safra porque no inverno curto você tem um material de ciclo maior. Então, naturalmente vai ocorrer uma frustração — afirma o pesquisador.
De acordo com ele, o milho não é um material tolerante à seca, mas sim de ciclo curto para invernos curtos. Ele diz ainda que o principal benefício que ele traz ao produtor é a garantia de safra, já que com os outros milhos o produtor sofre risco de perda. Já a época de plantio, varia de acordo com o local.
— No Piauí, ela começa entre dezembro e janeiro. No Ceará, começa entre janeiro e fevereiro. Já no Rio Grande do Norte, entre fevereiro e março e vai até abril. Já no nordeste da Bahia, entre maio e junho — conta Carvalho.
O milho Caatingueiro não é um material transgênico, portanto, não apresenta resistência a pragas e doenças, apesar de que, para o pesquisador, torná-lo transgênico seria o ideal. Ele diz que a grande vantagem do transgênico é não precisar fazer pulverizações com inseticidas.
— Por não aplicar inseticida, o produtor não prejudica a saúde e preserva a fauna. A transgenia foi o segundo evento mais importante da genética, depois do milho — afirma.
Carvalho fala também que, em qualquer lavoura de milho, o agricultor deve usar tecnologia. Segundo ele, é preciso ter máquinas, fazer aração, gradagem, realizar o plantio com matraca e manter a cultura no limpo até os 45 dias.
— O ideal é usar de 40 mil a 50 mil plantas por hectare. Ele deve ainda manter a distância de 1m entre fileiras. Dentro da fileira, deve colocar duas sementes a cada 40cm ou 50cm. Ele deve também fazer uma adubação de acordo com a análise de solo, além de fazer uso de sementes melhoradas em vez de sementes adquiridas do vizinho ou em feiras — explica.
Por ser uma variedade, o milho Caatingueiro apresenta produtividade menor que a dos híbridos. No entanto, de acordo com o pesquisador, se o produtor utilizar sementes melhoradas do milho e adotar um sistema de produção organizado, ele pode chegar a uma produção de 50 a 80 sacas por hectare.
Ainda de acordo com Carvalho, o sistema de produção dessa variedade custa entre R$600 e R$700 por hectare. Se o produtor alcançar uma produtividade de 60 sacas a um preço de R$25, o valor total é de R$1500. Portanto, o pesquisador afirma que o lucro seria de 100%. Já em relação aos incentivos ao produtor, o pesquisador critica as medidas atuais.
— Acho que o poder público deveria brigar mais pelo pequeno agricultor em vez de apenas distribuir sementes. Dar 10 ou 12 quilos de sementes para o agricultor não é nada. É preciso assistir o pequeno agricultor para que ele possa implantar um sistema de produção organizado e obter lucro — conclui.
Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Tabuleiros Costeiros através do número (79) 4009-1300.
