Caixa para a criação de uruçu-amarela

A partir da observação da arquitetura dos ninhos encontrados no oco de árvores, estudo da Embrapa Amazônia Oriental idealiza um modelo de caixa para criação racional da uruçu-amarela

Redação
Apicultura

O processo produtivo de mel pode ser aprimorado nas comunidades rurais sob vários aspectos, dentre eles, o próprio local onde se formam as colméias. Existe uma adaptação de caixas para criação de abelhas em substituição às caixas rústicas, utilizadas por agricultores tradicionais e chamadas de caixas caboclas.
 
Um estudo da Embrapa Amazônia Oriental buscou, a partir da observação da arquitetura dos ninhos encontrados no oco de árvores no nordeste paraense e no Maranhão, idealizar um modelo de caixa para criação racional da uruçu-amarela (Melipona flavolineata), uma espécie de abelha indígena sem ferrão.
 
Baseado também no trabalho do professor angolano Virgílio Portugal Araújo, o pesquisador da Giorgio Cristino Venturieri, da Embrapa Amazônia Oriental, adaptou um modelo de caixa para otimizar a produção de mel.
 
A caixa para a criação de uruçu-amarela deve medir 22cm x 22cm externamente. A espessura da caixa deve ser de 2,5cm. Ela é composta de quatro compartimentos sobrepostos de 8cm de altura: ninho e sobreninho, que abrigarão os favos de cria; duas melgueiras iguais, onde ficarão os potes de alimento; e uma tampa.
 
Esse modelo de caixa, de seção quadrada, consiste, conforme a descrição acima, em uma área para o alojamento das crias, situada na base, e de bandejas para o alojamento de potes de alimento; estas últimas dispostas em cima da área destinada às crias. Há ainda um orifício localizado na porção superior do ninho, um tubo de entrada e, principalmente, melgueiras móveis situadas na porção superior, facilitando a colheita de mel e minimizando o estresse ao restante da colônia.
 
De acordo com o pesquisador, a altura de 8cm de todas as partes facilita o processo de fabricação do produto em larga escala. Entretanto, algumas colônias são muito grandes e produtivas; neste caso, mais partes poderão ser dispostas, aumentando a área destinada aos favos de cria e potes de alimento. Giorgio Cristino Venturieri considera essa caixa muito eficiente, embora seja pouco conhecida. Ele pondera ainda que, apesar dela não ter sido desenhada para as espécies encontradas no continente americano, apresenta soluções para a criação de muitas espécies de abelhas.
 
Segundo Giorgio Cristino Venturieri, o modelo de caixa proposto tem sido difundido em cursos de capacitação e na instalação de projetos-piloto de produção comercial de mel. Nesses projetos, foram obtidos relevantes sucessos, tais como: a rápida evolução da colônia; a facilidade na multiplicação dos ninhos, tanto pela divisão ao meio das crias quanto na geração de novas colônias utilizando poucas abelhas, e, principalmente, a facilidade de coleta do alimento estocado.
 
Para mais detalhes sobre a construção da caixa para criação de abelhas uruçu-amarela, consulte o documento.