A Câmara Setorial da Mandioca de Alagoas poderá apresentar um projeto à Assembleia Legislativa Estadual (ALE) para inclusão da fécula da mandioca à massa do pão francês. A iniciativa vai se inspirar num projeto já aprovado na Bahia, conforme explicou o secretário de Agricultura daquele Estado, Eduardo Salles, nesta quarta-feira (16), durante a abertura do 14º Congresso Brasileiro da Mandioca.
Segundo ele, a Bahia é o terceiro maior produtor de mandioca do país e o projeto aprovado pela Assembleia Legislativa Estadual de lá prevê o acréscimo de 2% ao ano de fécula de mandioca à massa do pão francês, até o total de 10%, num prazo de cinco anos. “Para isso, é preciso que a fécula esteja sempre num preço abaixo do trigo”, explicou Eduardo Salles.
“Como a mandioca é um produto que faz parte da agricultura brasileira, a adição de fécula ao pão pode baratear o café da manhã de todo mundo, e o consumidor brasileiro vai sair ganhando. Afinal, o trigo é importado, e isso encarece o preço do pão”, detalhou o secretário de Estado Adjunto da Agricultura, José Marinho, que na solenidade representou o secretário Jorge Dantas.
Em Alagoas, o projeto ainda será discutido pela Câmara Setorial da Mandioca, conforme informou a superintendente de Fortalecimento da Agricultura Familiar, Inês Pacheco, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri).
“Vamos fazer essa discussão e, no futuro, poderemos encaminhar esse projeto à Assembleia”, afirmou a superintendente. Ao final da solenidade de abertura do Congresso, o deputado estadual Inácio Loiola disse à reportagem que será um dos apoiadores da iniciativa, quando a proposta chegar à ALE.
Ainda segundo Inês Pacheco, o Estado tem produção suficiente para abastecer as padarias, em caso de aprovação do projeto. “Essa iniciativa também pode fortalecer a produção, incentivar o aumento da área plantada, da produtividade, e vai agregar mais valor ao produto, gerando renda para o agricultor familiar”, explicou Inês Pacheco.
De acordo com ela, já foram feitas experiências de inclusão da fécula ao pão. “O resultado é muito positivo, o pão fica mais saudável, mas a adição da fécula tem que ocorrer nos moinhos, ou seja, ela não é enviada diretamente para as padarias. Os estabelecimentos já recebem essa massa pronta”, narrou a superintendente. (Diego Henrique Barros Melo)