A expansão da cultura da cana-de-açúcar para áreas prejudicadas pela desertificação pode ganhar um novo estímulo. Objeto de pesquisa da Embrapa Agroenergia desde agosto de 2008, uma nova variedade da planta, com maior resistência à seca, está em desenvolvimento. A entidade faz experimentos com a modificação genética da cana através do método da transgenia, que vai tornar favorável a sua produção em solos de pouca fertilidade, com baixa precipitação pluviométrica e sob altas temperaturas.
A tecnologia que confere tolerância à deficiência hídrica já foi validada em diversas espécies, como arroz, trigo e tabaco, mas ainda não existe uma variedade de cana transgênica comercial. De acordo com o pesquisador Hugo Molinari, do Laboratório de Biologia Energética, a variedade vai representar um novo impulso para o cultivo em áreas de expansão por minimizar os impactos causados pelas mudanças climáticas.
— Essas novas áreas geralmente são afetadas por falta d’água e os solos são mais pobres. Isso requer o desenvolvimento de novos genótipos tolerantes a essas condições. Quem vai ser diretamente beneficiado são os produtores, que vão dispor de material mais resistente e poderão agregar valor por produzir mais em período de estiagem.
Para modificar a cana através da transgenia, a Embrapa Agroenergia travou parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), que possui tecnologia para tal. A seleção dos genes de interesse é feita através de dois métodos da engenharia genética que possibilitam a regeneração completa de uma planta transgênica.
— O primeiro é o método biobalista, que consiste na transformação de tecidos vegetais por meio de bombardeamento. Nada mais é do que um tiro que você dá com o DNA de seu interesse na planta. O outro método é a agrobactéria que, naturalmente, transforma as plantas. Então, ao invés de eu usar uma partícula para carrear o gene de interesse para dentro da célula, a bactéria faz isso — explica Molinari.
Antes de ser lançada, a nova variedade de cana-de-açúcar precisa ser testada em ambientes diferentes e picos variados, para que a tecnologia seja validada. A Embrapa Agroenergia tem perspectivas de ofertar as primeiras mudas de cana transgênica para os produtores em, no máximo, sete anos após o início dos trabalhos.