O Instituto Agronômico (IAC) irá realizar o Seminário Canavicultura Sustentável: uma visão para o futuro, nos dias 25 e 26 de maio de 2011, das 8h30 às 17h30, em Ribeirão Preto, no Centro de Cana do IAC, instituto da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O Seminário é uma parceria do IAC com o Ministero Dell’Ambiente e Della Tutela Del Território e Del Mare, da Itália, e o Fórum das Américas. O objetivo é mostrar a viabilidade econômica da produção de cana-de-açúcar em consonância com a preservação do ambiente, com adequação às características regionais — tão diversas — do Brasil. O IAC, em seu programa de melhoramento genético de cana, já atua com base na vocação regional das variedades de cana como principal atributo no aumento da produtividade. Por meio de palestras sobre assuntos diversos envolvendo a canavicultura, pretende-se mostrar os ganhos alcançados nos últimos anos graças à geração e adoção de tecnologias canavieiras — um salto na produção juntamente com sustentabilidade ambiental.
De acordo com o pesquisador do IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, que fará a palestra “Melhoramento genético e criação de novas variedades de cana-de-açúcar”, as tecnologias elevaram os números em produção por área, assim como a produção de açúcar e etanol por tonelada. Segundo Landell, de 1975 a 2010 a produtividade agrícola passou de 65 toneladas de cana por hectare para 90 t/ha. Antes, a obtenção dessas 65 t/ha eram feitas na média de três cortes, três colheitas, e hoje o resultado de 90t/ha se dá em cinco cortes. “Em outras palavras, além de aumento de produtividade, aumentou o número de cortes, dando maior longevidade aos canaviais e baixando também o impacto ambiental, pois existem menos operações no solo, como gradagem, subsolagem e aração”, explica. A ampliação do número de cortes reduziu também o custo agrícola, pois a reforma de canavial gera gasto elevado.
Esses ganhos são frutos da pesquisa científica, da geração e transferência de tecnologias. Nos últimos anos, o IAC lançou 19 variedades de cana para fins agroindustriais. “Com a criação de variedades mais ricas e precoces, aumentou também a extração de açúcar – antes se extraia, de cada tonelada de cana, o equivalente a 90 kg de açúcar. Hoje, extrai-se na média da safra algo próximo a 120 kg”, diz Landell. Com o etanol alcançou-se semelhante avanço — a cada tonelada de cana, a extração de etanol saltou de 60 para 90 litros.
Além de cinco pesquisadores do IAC, o Seminário terá palestrantes da Amyris Brasil S.A, da FEA/USP e da Syngenta. Haverá ainda apresentação do Ministério italiano, pelo pesquisador Conrado Clini, que irá falar sobre “Sustentabilidade agrícola: uma visão global”. Esta exposição terá tradução simultânea. O Secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal, irá palestrar sobre “Cogeração de energia com biomassa de cana”. Dentre os palestrantes do IAC, estão os pesquisadores Heitor Cantarella, Hélio do Prado, Leila Luci Dinardo-Miranda, Orivaldo Brunini e o pesquisador e diretor do Centro de Cana do IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell.
O Seminário oferece 300 vagas para pesquisadores, professores, estudantes e demais profissionais ligados à canavicultura e à agricultura sustentável.