Cancro bacteriano em videiras

Doença detectada em Pernambuco e Bahia é tema de estudo para evitar a disseminação em todo o país

Breno Fonseca
Doenças

Para detectar a presença de bactérias em folhas e caules aparentemente sadios nas plantações de uva, a pesquisa “Diagnose molecular do cancro bacteriano da videira causado por Xanthomonas campestris pv. viticola”, desenvolvida por Loiselene Carvalho da Trindade, tem por objetivo evitar a disseminação de uma das doenças que mais prejudicam o trabalho dos produtores.

Atualmente pesquisadora da Empresa de Assistência Técnica e Expansão Rural (Emater) do Distrito Federal, Loiselene foi orientada pela professora Marisa Alvares Velloso Ferreira na Universidade de Brasília (UnB). Seus estudos abordam um método de diagnóstico molecular que identifica a doença antes dos sintomas aparecerem. De acordo com Loiselene, a bactéria causa rachaduras nos ramos das videiras, diminui o volume dos cachos, provoca manchas nas folhas e lesão nos frutos. Por isso, quando mais rápido a doença for identificada, menor será o prejuízo dos fruticultores.

A praga foi encontrada em videiras dos municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). E é preciso que se tome cuidado para que não se espalhe em outras plantações. Segundo os dados do trabalho, 155.785 toneladas de uvas foram produzidas em Pernambuco e 89.738 toneladas na Bahia, durante o ano de 2006. Loiselene esteve nas duas localidades para a análise de amostras das folhas doentes e das aparentemente sadias. Os materiais foram submetidos à Reação da Polimerase em Cadeia (PCR) e as bactérias encontradas pela amplificação do DNA, seguida de eletroforese em gel. Todas as plantas infectadas foram isoladas da plantação e exterminadas.

Ainda pouco conhecida, a bactéria do gênero Xanthomonas requer maiores estudos, pois apareceu no Brasil pela primeira vez em 1998. É para isso que a pesquisadora alerta os futuros estudiosos do cancro em videiras.