Capacitação em produção de sementes de milho fortalece agricultura familiar em MG

Treinamento em unidades piloto diminui custos de produção e aumenta capacidade competitiva dos pequenos produtores

Nivea Schunk
Sementes e Mudas

Três unidades piloto de capacitação em produção de sementes de milho variedade já treinaram cerca de 350 produtores, extensionistas e estudantes, em Bambuí, Rio Pomba e Inconfidentes, no Estado de Minas Gerais. O projeto da Embrapa Milho e Sorgo conta com institutos federais de educação nesses municípios para viabilizar a substituição do material defasado em produtividade, proporcionando cultivares melhoradas aos agricultores familiares. A iniciativa não só traz independência à milhocultura de base como também elimina os gastos com aquisição de sementes, diminuindo bastante os custos produtivos e aumentando a competitividade da colheita.

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— Nós mandamos algumas sementes de milho para essas unidades e, durante a implantação do campo de produção de sementes, uma equipe visita o local para fazer dias de campo e orientar o processo da melhor forma. Ao longo do desenvolvimento da lavoura de milho, promovemos uma série de outras abordagens acerca das boas práticas da atividade. Selecionadas por gerações anteriores, as sementes tradicionais, de paiol, apresentam menor potencial de adaptação e rendimento, além de serem mais suscetíveis a doenças e pragas — explica Diego de Oliveira Carvalho, engenheiro agrônomo e analista de transferência tecnológica da Embrapa Milho e Sorgo.

Ao final do ciclo da lavoura, são promovidos cursos com a disponibilização de uma máquina de beneficiamento e classificação do material e um equipamento para costurar embalagens próprias para acondicionamento de sementes, que são distribuídos entre os participantes. São os eventos ocorrentes ao longo do processo que preparam os produtores para esse desfecho. Carvalho revela o interesse do Paraná em repetir a experiência mineira e diz que, em breve, o programa deverá beneficiar também outros Estados.

— Outro fator relevante é que, ao contrário dos híbridos, a multiplicação de variedades é mais segura. A diferença é, principalmente, a segregação genética que há quando plantamos sementes de milho híbrido, de modo que não há como saber se as resultantes terão o mesmo valor genético. Esse fenômeno é bem menos intenso com as variedades, então é possível garantir que a semente colhida manterá as mesmas características de produtividade e resistência — diz ele.

"Iniciativa traz inde-
 pendência à mi-
 lhocultura de base
 e elimina gastos"


 Diego de Oliveira Carvalho,
 Embrapa Milho e Sorgo