Proporcionar bem estar à população de Poço Redondo, região a 190km de Aracaju (SE), gerando renda e agrupando pequenos produtores. Essa foi a intenção inicial do projeto denominado Cooperativa de Produtores de Capim Elefante do Alto Sertão Sergipano (Coopcapim). O objetivo é produzir o capim elefante para a alimentação animal e, sobretudo, para a geração de energia. Tudo com a preocupação de manter a sustentabilidade, com alta produtividade aliada à preservação do solo.
|BARRA_AUDIO|
Assim como a braquiária e a cana-de-açúcar, o capim elefante é uma excelente fonte de agroenergia. De acordo com pesquisas realizadas pela Embrapa, a capacidade energética da gramínea chega a produzir 4200 kcal, enquanto a braquiária, 3900 kcal. Jorge Luiz Sotero de Santana, coordenador do curso superior de tecnologia em saneamento ambiental do Instituto Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS), informa que o potencial do capim elefante é de 189 milhões de quilocalorias por hectare, o que representa 37% a mais que os índices do eucalipto, por exemplo.
Jorge Santana conta que já existem usinas brasileiras funcionando à base da forrageira e que, por isso, a formação de cooperativas para o setor é tão importante. Segundo o IFS, o investimento inicial dos produtores deve ser voltado para a construção de galpões e aquisição ou aluguel de máquinas ceifadoras e enfardadeiras. Com lotes de seis tarefas, 30 agricultores sergipanos produzem os fardos de capim num total de mais ou menos 55 hectares, o que gera cerca de nove toneladas de capim e uma receita de R$260 mil ao mês, que descontados todos os impostos e gastos administrativos, ofereceria aos cooperados uma renda média de R$2800.
— Na cooperativa colocamos técnicos agrícolas para dar suporte. O projeto tem que ter apoio de parceiros, como o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil, e os equipamentos necessários. Com irrigação adequada, assistência técnica, financiamento nem tão elevado e maquinário, é possível alcançar uma boa produção. Afinal, o próprio agricultor conhece essas gramíneas e suas características — comenta Jorge, ressaltando que o capim elefante não exige adição de adubos por até cinco anos, é tolerante à escassez hídrica do clima semiárido e, durante a queima, emite menos gases poluentes do que materiais convencionais como a madeira e o bagaço da cana.
Para maiores informações, os pequenos produtores devem entrar em contato com o Instituto Federal do Sergipe (IFS) pelo telefone (79) 3113-0908.