Característica edafoclimáticas e correção do solo no cultivo do milho safrinha

Antes da implantação do milho safrinha, a correção de acidez do solo é o processo fundamental para alcançar a produtividade da cultura

Aline Jesus
Correção de solo

Os solos do Estado do Mato Grosso do Sul (MS) são denominados solos de cerrado por apresentarem baixos teores de nutrientes, altos índices de acidez e dificuldade no desenvolvimento de raízes devido aos baixos teores de cálcio e alta saturação por alumínio nas camadas subsuperficiais do solo. Além desses problemas, a baixa capacidade de retenção de água desses solos é o grande fator da diminuição na produção das plantas que se agrava devido aos períodos secos.

Pesquisas da Fundação MS observam que o milho é uma cultura de alto rendimento além de ser responsável pela melhoria do nível de fertilidade do solo. No período de fevereiro/março a julho/agosto, o cultivo do milho safrinha tem apresentado um potencial produtivo limitado em razão das desfavoráveis condições climáticas relacionadas à deficiência hídrica e à ocorrência de períodos de baixas temperaturas. A partir daí, surgem dúvidas quanto à produtividade e rentabilidade em relação ao investimento a ser feito em corretivos e fertilizantes na atividade.

Por recomendação da Fundação MS, é aconselhável que o produtor rural implante a cultura em áreas de boa fertilidade já corrigidas, uma vez que não há tempo para a correção do solo antes do plantio do milho safrinha. Antes da implantação da cultura de verão, devem ser feitas a correção da acidez superficial (0-20 cm) com calcário e a correção da camada subsuperficial (20-40 cm) com gesso agrícola. Áreas com subsolos muito ácidos limitam o desenvolvimento do sistema articular e afetam a produtividade até onde as plantas podem absorver água, o que se torna crítico para a cultura. Devido ao volume de chuvas que ocorrem nesse período, o cultivo do milho safrinha dependerá ainda mais da água armazenada na camada inferior do perfil de solo, porém, em solos arenosos que armazenam menos água, os riscos do milho safrinha aumentam.

Diante deste contexto edafoclimático, não basta apenas corrigir a camada superficial do solo. Estudos da Fundação MS apontam que para o sucesso do milho safrinha é fundamental que se proporcionem boas condições para o crescimento radicular de até um metro de profundidade. Sendo assim, para corrigir os problemas de acidez na camada superficial, o processo de calagem é uma boa solução. No entanto, para a correção da acidez subsuperficial, a melhor alternativa é a utilização do gesso agrícola.