Características do germoplasma de feijão coletado no Rio Grande do Sul

Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Clima Temperado e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural realizam expedição de coleta de germoplasma de variedades tradicionais de feijão plantadas por agricultores do litoral do RS

Redação
Melhoramento genético

Pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, da Embrapa Clima Temperado e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) realizaram em 2006 uma expedição de coleta de germoplasma de variedades tradicionais de feijão plantadas por agricultores do litoral médio e sul do Rio Grande do Sul, municípios de São José do Norte, Tavares, Mostardas e Viamão.
 
Nas lavouras visitadas, foram pegas entre 30 a 50 vagens por variedade. Também foram coletadas sementes armazenadas ainda em ramas ou debulhadas em paióis, galpões, sacarias, e embaladas em garrafas pet. A amostragem foi realizada ao acaso, variando de 100 a 200 gramas de sementes.
 
No total, foram trazidas 36 amostras para a Embrapa Arroz e Feijão, que foram multiplicadas a campo. Posteriormente, em laboratório, os feijões foram caracterizados, de acordo com grupos comerciais, tamanho e intensidade do brilho do tegumento das sementes. Foi constado que os agricultores têm preferência por grãos pretos (30,6%), seguidos pelo roxo (27,8%), rajado (16,7%), outros (13,9%), manteigão (8,3%) e amarelo (2,7%).
 
Em relação ao grupo mais representativo (preto), os seguintes nomes foram dados pelos agricultores aos feijões coletados: Preto Vagem Amarela, Preto Manteiga, Preto Comum, Manteiga Preto, Preto 60 dias, Preto, Pretinho, Florestinha e Preto Misturado. Houve a predominância de sementes brilhantes (63,6%), seguida pelas opacas ou foscas (36,4%). Para o grupo preto ainda, observou-se que 72,7% das amostras apresentaram massa de 100 sementes inferior a 25 gramas; 18,2% tiveram tamanho médio (de 25 a 40 gramas); e uma semente foi considerada grande (maior que 40 gramas).
 
De forma geral, as variedades de feijão coletadas apresentaram variabilidade genética para as características de brilho, tamanho e cor das sementes. Ou seja, o trabalho foi importante para a conservação de recursos genéticos tradicionais do feijoeiro comum e seu possível uso em programas de melhoramento para a geração de cultivares. Essa pesquisa teve apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).