Para os agricultores, o fator que geralmente mais pesa em um cultivo é a obtenção de boas produtividades. Além disso, a questão da qualidade do produto vem ganhando destaque cada vez maior. Já para consumidor é difícil ignorar que aspectos relacionados à aparência, tão valorizados no momento da compra, principalmente no caso das frutas, verduras e legumes. Quanto a esta última exigência, o comércio varejista quebra a cabeça em como preservar o visual atraente de hortifrutigranjeiros.
Em amparo a este último segmento de mercado, a Embrapa Instrumentação Agropecuária aplicou e avaliou tecnologias para produção de filmes de recobrimento de maçãs para fins de conservação do produto.
As zeínas, ou prolaminas do milho, são proteínas de reserva compostas por vários polipeptídios, que representam mais de 50% da massa total das proteínas presentes no endosperma do milho. Essas proteínas são altamente hidrofóbicas e tem baixa qualidade nutricional. Por isso, são usadas em várias aplicações tecnológicas nas áreas agrícola, farmacêutica, alimentos entre outras.
Por suas próprias características, as zeínas apresentam caráter fortemente hidrofóbico, sendo capazes de formar filmes que atuam como barreiras à umidade e ao oxigênio. Esses filmes vêm sendo usados na cobertura de medicamentos e alimentos in natura, em função da sua não toxicidade, biodegradabilidade e por serem oriundos de fontes renováveis.
Os filmes de zeínas, no entanto, são quebradiços e frágeis, havendo a necessidade de se adicionar plastificantes para melhorar as propriedades mecânicas. Assim, a Embrapa Instrumentação Agropecuária elaborou filmes à base de zeínas (extraídas do glúten de milho), utilizando-se adições de ácido oléico como agente plastificante.
Para a produção de filmes de zeínas, foram preparadas soluções aquosas de etanol a 70% (etanol 70%), contendo 4,2% de proteína e variando-se a concentração do plastificante ácido oléico em 0,25; 0,5 e 1% em massa.
As soluções filmogênicas obtidas, foram utilizadas para o recobrimento de maçãs obtidas do comércio local. Para o recobrimento, as frutas foram imersas nas soluções por dois segundos, ficando totalmente cobertas pelo gel. Após a cura dos filmes, pela evaporação do solvente, as frutas foram acondicionadas em bandejas e mantidas na temperatura ambiente.
As frutas foram diariamente pesadas por 43 dias, para monitoramento da perda de massa. Comparou-se amostras com e sem revestimento, tomando a perda de massa, como indicativo de perda de água.
Como resultado, temos que os frutos revestidos com filme contendo 0,25% de ácido oléico apresentaram menor perda de massa, devido, principalmente, à diminuição da perda de água. A perda de massa pela transpiração ocorre principalmente da água existente nas células da casca, flavedo e albedo dos frutos. Considerando que o filme gera um revestimento sobre a cutícula dos frutos, pôde-se então bloquear a ação dos estômatos e das lenticelas e alterar as trocas gasosas dos frutos, sendo, portanto, eficiente na redução de controle da atmosfera interna e de inibição da transpiração.
Para saber mais sobre essa avaliação e os procedimentos adotados, acesso o arquivo em anexo disponível para download.