Caracterização de germoplasma e melhoramento genético do maracujazeiro

Foi observado que muitas espécies podem fornecer características interessantes para transferência, principalmente a resistência a doenças

Margareth Santos
Fruticultura

Desenvolver variedades de maracujazeiro-azedo produtivas e com resistência múltipla a doenças é um dos intuitos do trabalho realizado pela Embrapa Cerrados, sob a coordenação do pesquisador Fábio Gelape Faleiro. A pesquisa também tem o objetivo de trabalhar a conservação e a caracterização de espécies silvestres e comerciais do maracujazeiro, visando à utilização do programa de melhoramento genético, como porta-enxerto, plantas ornamentais e medicinais, e disponibilizá-los para os produtores, a fim de que possam de uma maneira sustentável atingir melhores ganhos em suas lavouras.

— Para executar todas as atividades do projeto, nós montamos uma equipe multidisciplinar, com biólogos, geneticistas, melhoristas, fitotecnistas e profissionais da área de transferência de tecnologia. Foi, então, construída uma rede de instituições envolvendo universidades e unidades da Embrapa para conduzir o projeto e fazer com que ele atingisse seus objetivos — explica o pesquisador.

 

Maracujazeiro ornamental,
uma das aplicações
do melhoramento
genético



 

A metodologia empregada envolveu, nas etapas de conservação e caracterização de germoplasma, a criação de um banco com materiais vindos do Centro-Norte, Cerrado e Amazônia, contendo várias espécies, não apenas comercial mas também nativas, encontradas espontaneamente no bioma, de potenciais ornamental, medicinal e porta-enxerto. Foi observado que muitas espécies podem fornecer características interessantes que são transferíveis ao material comercial, principalmente a resistência a doenças.

— Os principais resultados obtidos no projeto foram o trabalho de conservação dos materiais diferentes do País (em torno de 200) e o lançamento de novos híbridos de maracujazeiro: as BRS Sol do Cerrado, BRS Ouro Vermelho, BRS Gigante Amarelo, BRS Estrela do Cerrado, BRS Rubi Flora e BRS Rosa Flora — comenta Faleiro. Os dados de desempenho econômico revelam resultados satisfatórios: a produtividade brasileira média é de cerca de 14 toneladas por hectare ao ano, enquanto que esses materiais, em condições experimentais, podem chegar a 40 toneladas por hectare.