Apenas 5% dos carrapatos bovinos presentes em uma fazenda estão instalados no corpo do animal. Os outros 95% permanecem na pastagem, em forma de ovos ou larvas, prontos para infestar o rebanho no momento da alimentação. A informação já é conhecida pela comunidade científica, mas ainda é uma novidade para muitos criadores. Por falta de conhecimento, muitos produtores insistem em utilizar produtos veterinários com efeito de curta duração, que controla os parasitas por apenas alguns dias mas não impede a infestação dos animais no pasto, a longo prazo. Para ilustrar como se dá a ação parasitária na pastagem e nos bovinos, a Novartis irá apresentar na Expointer um carrapatário.
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— Não queremos apenas oferecer aos produtores soluções no controle de parasitas mas também informação fundamental para o estabelecimento dos programas de controle. A função do carrapatário é exatamente mostrar ao produtor como é a biologia do parasita na fase de vida fora do animal, no pasto, como ovo, como larva, e tentar dessa forma fazer com que ele, ao compreender o ambiente onde o parasita se desenvolve, monte a melhor estratégia de controle — explica o médico veterinário Otaviano Pereira Neto, gerente técnico da Novartis Saúde Animal.
O carrapatário apresentado na Expointer, que esse ano acontece de 25 de agosto a 5 de setembro, no Rio Grande do Sul, vai permitir que os criadores observem, através de lentes de aumento, as fêmeas botando ovos na pastagem e os carrapatos na forma de larvas. Em uma simulação, os produtores acompanharão o que acontece no pasto, quando o bovino passa caminhando pela pastagem infestada de larvas e elas sobem através das patas ou do focinho do animal, instalando-se em locais de fixação para começar o parasitismo.
Os danos gerados pelos carrapatos nos bovinos podem ser observados de forma direta ou indireta. Um exemplo de dano direto é a perda de peso. O animal diminui a eficiência, pois cada carrapato consome por volta de 13 ml de sangue e as infestações podem ser de centenas de carrapatos no corpo do bovino, o que significa a perda de alguns litros de sangue. A perda de peso pode levar à anemia e, portanto, a prejuízos diretos na produtividade e na atividade reprodutiva dos animais. Além disso, há problemas de transmissão, através do carrapato, de doenças que podem ser fatais. Um exemplo de prejuízo indireto é o dano causado na qualidade do couro quando o carrapato produz a picada, o que deprecia a qualidade do animal e o torna inútil para a indústria de roupas e sapatos.
Produtos e programas de controle
Como a maior parte dos parasitas permanece no campo e ataca o animal apenas no momento da pastagem, algumas características são necessárias para que o controle do carrapato seja eficaz. Uma delas é o princípio ativo do produto, que deve ser de longa ação, de 30 a 40 dias, diferente dos produtos normalmente utilizados nas pulverizações que duram apenas três ou quatro dias. Para suprir essa necessidade, a Novartis apresenta na Expointer dois produtos comerciais: o Acatak e o Agita, ambos com efeito de ação pontual sobre espécies específicas de parasitas.
— O Acatak é um inibidor de crescimento de ácaros, que quebra o ciclo parasitário, ou seja, tem por característica impedir que a larva chegue à fase adulta no corpo do animal através das mudas que vai realizando durante sua vida. Como as mudas são ineficientes, não conseguem compor o revestimento do corpo dela e essa larva morre antes de chegar à fase adulta. Já o agita tem como foco as moscas domésticas, que estão geralmente presentes no lixo e em materiais provenientes do ambiente externo e são consideradas uma das principais fontes de transmissão de doenças, principalmente a mastite no caso de vacas leiteiras — descreve o médico veterinário Otaviano Neto.