O diagnóstico de manejo do carrapato bovino no Alto Camaquã, Rio Grande do Sul, norteou pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Pecuária Sul, entre março e dezembro de 2009. Composta a partir do levantamento das práticas de controle utilizadas pelos pecuaristas familiares locais, o trabalho revela níveis preocupantes de resistência na maior parte dos acaricidas de contato.
— Isso é natural e ocorre com o surgimento de indivíduos resistentes que vão se multiplicando ao longo dos anos. No entanto, a má utilização dos inseticidas acelera o processo, especialmente com relação aqueles utilizados nas banheiras de imersão. Aqui no Estado a situação é bastante crítica, já que o uso dessa técnica ainda é predominante — afirma Claudia Gomes, pesquisadora integrante da equipe de sanidade animal.
Além de complementar um projeto de aprimoramento do sistema produtivo regional a cargo da unidade, a iniciativa visa atender às demandas por orientações técnicas advindas dos próprios criadores. O parasita se alimenta do sangue do animal e transmite outras doenças, como a tristeza parasitária, responsável pelos maiores prejuízos econômicos do setor. As grandes infestações enfraquecem o rebanho, causando perda de peso, quadros anêmicos e afetando diretamente o rendimento.
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"A má utilização |
Análises conduzidas em Bagé apuraram 60% de eficácia para os inseticidas amitrais e 80% para as misturas de organofosforado com piretróides. Já em Caçapava do Sul e Pinheiro Machado, os índices de tolerância verificados foram um pouco menores. Considerando que o nível normal deve estar acima de 95% e que a oferta de produtos similares no mercado está cada vez mais escassa, o remanejamento da aplicação dos métodos de controle é essencial para manter a produtividade
— Nós aferimos a concentração do princípio ativo na calda do banheiro de imersão e coletamos carrapatos para fazer análises laboratoriais. O biocarrapaticidograma é um exame realizado gratuitamente pela Embrapa Pecuária Sul e o ideal é que os produtores procurem realizar esse teste uma vez por ano. O fato é que não existe regra geral para o sucesso do controle de carrapatos, o importante é conhecer a realidade dos sistemas produtivos para adequar a melhor forma — conclui a pesquisadora.
De acordo com Claudia, publicações acerca dos resultados específicos da pesquisa, bem como sobre o tema em geral, serão lançadas em breve pela Embrapa.
