Castanha-do-brasil é tema de dia de campo

Acre é o principal estado produtor do país e extrativistas recebem informações sobre técnicas de confecção de mudas e manejo do fruto

Breno Fonseca
Manejo

Principal produtor da castanha-do-brasil, o Estado do Acre chega a colher 25 mil toneladas de sementes ao ano. Da década de 80 para este ano, o preço de uma lata com dez quilos de castanha in natura subiu, surpreendentemente, de R$2 para até R$15. Os dados revelam que os trabalhos realizados pela Embrapa na região tem surtido efeito. Com produtos de qualidade, livres da aflatoxina, substâncias cancerígenas causadas por fungos encontrados na Floresta Amazônica, os extrativistas tiveram acesso a informações das boas práticas de manejo florestal e padronização de procedimentos durante dia de campo realizado no Seringal Cachoeira, em Xapuri.

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Pesquisadora da Embrapa Acre, Virgínia de Souza Álvares comenta que a aflatoxina é um dos grandes problemas enfrentados nos castanhais. Por conta disso, o agricultor deve tomar certas medidas de prevenção para evitar o contato de fungos com o solo. Entre elas, está coletar os frutos recém retirados o mais rápido possível e selecionar os visivelmente contaminados, cortados ou ocos. O uso de utensílios exclusivos para a quebra dos ouriços também é fundamental, assim como o transporte eficiente e a secagem imediata após a lavagem da amêndoa, etapa principal para evitar a contaminação pela toxina cancerígena.  

— Podemos falar que o aumento do preço da castanha no Acre foi devido à melhoria na qualidade do nosso produto. E, hoje, todos tem a consciência de que a aflatoxina existe e é problemática para a saúde do consumidor — alerta Virgínia, que ainda ressalta que os galpões de armazenagem devem ser limpos e livre de animais transmissores de doenças.  

Uma novidade apresentada durante o dia de campo foi a produção de mudas de castanheira. A convite a Embrapa, o Instituto de Pesquisa da Amazônia Peruana (IAPE) trouxe dados sobre o método da enxertia, que aumenta a precocidade da espécie. O processo de germinação é conhecido como borbulhia, através do qual é coletado material genético nos galhos novos das árvores. A gema retirada do alto das castanheiras é enxertada em uma muda de 1 a 2 anos que já deve estar em campo e ter diâmetro de 3cm a 5cm .  

— Temos visto em estudos de monitoramento e através de dados do Peru que as árvores enxertadas já produzem com de 8 a 10 anos, enquanto as chamadas pé-franco demoram 14 anos. Grande parte da população de castanheira é pouco produtiva. Portanto, as gemas para a enxertia devem ser oriundas, sobretudo, de árvores conhecidamente com bom potencial. Outro ponto importante é que não se pode usar o material genético de uma só árvore para a produção de um castanhal inteiro. Já que a castanheira é auto-incompatível, ou seja, é incapaz de gerar frutos quando é polinizada por indivíduos com o mesmo gene — explica a pesquisadora Lúcia Helena de Oliveira Wadt, também da Embrapa Acre.

Dia de Campo e mercado interno

A escolha do Seringal Cachoeira para a realização do Dia de Campo “Boas práticas extrativistas para a castanha-do-brasil”, no dia 13 de novembro, foi feita, segundo Virgínia Álvares, por conta da localização geográfica privilegiada da região e da contribuição dos produtores da região para que o mercado interno brasileiro seja abastecido. O evento contou com cerca de 100 participantes que puderam se aprimorar também em temas como os aspectos ecológicos da castanheira, cooperativismo e mercado. O Seringal Cachoeira possui 24 mil hectares e abriga 87 famílias. Na última safra, a comunidade comercializou aproximadamente 150 toneladas de castanha-do-brasil.  

Além da Embrapa Acre, o evento contou com a parceria da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familar (Seaprof), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Prefeitura de Xapuri e Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), que integra três cooperativas, 20 associações e três indústrias de beneficiamento. De acordo com Lúcia Wadt, o Governo Federal está construindo a terceira indústria de beneficiamento da castanha em Rio Branco (AC).  

— O enfoque é melhorar o beneficiamento do produto e vender com valor agregado. Há 2 anos atrás, praticamente 90% da produção era vendida em sementes, como matéria prima. A Cooperacre tem trabalhado bastante no mercado interno, vendido para supermercados e fábricas de chocolates e barras de cereal. A partir de agora, é necessária a organização para buscar certificação para o acesso ao mercado externo — conclui Lúcia. 

Para maiores informações, o telefone de contato da Embrapa Acre é (68) 3212-3200.