Chuvas afetam cultura do feijão em Goiás

Além de prejudicarem o desenvolvimento das lavouras, águas dificultam pulverização e causam sérios danos aos meios de escoamento da produção

Breno Fonseca
Sanidade Vegetal

Durante o final do mês de dezembro, as chuvas atingiram em cheio a região meio norte do Estado de Goiás. E o ano de 2011 chegou debaixo de mais água ainda para os produtores de milho e soja em outras áreas com grandes concentrações de lavouras. No entanto, são os feijoeiros os mais prejudicados pelos altos índices pluviométricos. Prestes a entrar na fase de colheita, a cultura do feijão é pouco resistente ao excesso de umidade. Por isso, novas tecnologias estão em fase de pesquisa para o melhor aproveitamento da produção.

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O chamado melado da folha e o seu consequente apodrecimento favorecem o aparecimento de doenças fúngicas e, apesar de ainda não serem contabilizados, os prejuízos são significativos. De acordo com dados da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), as cidades mais atingidas foram Cristalina e Montividiu. Com as chuvas, as plantações sofrem com a ocorrência da antracnose e da ferrugem. Assim, os feijoeiros, que já estão com as vagens prontas, acabam fornecendo grãos podres. O analista de mercado Pedro Arantes, da FAEG, comenta que a essa primeira safra de feijão não é tão intensa, mas que, caso as precipitações perdurem por mais dez dias, as perdas podem ser irreparáveis.

— Para os próximos anos, é preciso melhorar o monitoramento climático, com instrumentos que ofereçam melhor previsão, o que no Brasil é precário. As pesquisas também vem desenvolvendo plantas mais resistentes às instabilidades climáticas, ao estresse hídrico. Contudo, ainda não existem variedades no mercado, pois os estudos começaram há dois anos. Essa preocupação já existe. Por fim, é complicado atrasar o plantio do feijão, pois a cultura tem o ciclo muito curto, de apenas 90 dias. O que se faz é lançar mão de três safras, com a primeira plantada em outubro e colhida em final de dezembro, a próxima para colher em maio e a última é irrigada e não está sujeita a essas condições — explica Pedro.

A meteorologia prevê que o período de chuvas vá até o dia 16 de janeiro. Por enquanto, não é possível fazer uma estimativa de quanto será a produção de feijão no Estado. O grande problema apontado por Pedro Arantes é com relação à comercialização dos grãos apodrecidos, que tem sua coloração alterada e acabam não atendendo às exigências do consumidor. Apesar de ainda não ter sido observada a deterioração do feijão, a queda de preço pode chegar a 20%, visto que os produtos deixam de ser do tipo 1.

— Quem planta feijão nessa época já sabe do alto risco de chuvas em dezembro e janeiro, especialmente na virada do ano. Porém, não existe uma regularidade, pois o clima estava até muito favorável. Quando chove até determinado momento, para logo em seguida fazer sol, o controle de doenças e pragas é facilitado. Com a precipitação dos últimos dias, parte de rodovias e pontes está sendo afetada, o que dificulta o escoamento da produção — alerta Pedro, ressaltando que ao agricultor cabe aguardar e estar atento à aplicação de pulverizadores, que precisam de pelo menos duas horas para entrarem em ação.

Além de provocarem problemas no desenvolvimento da planta, as águas tem dificultado a aplicação de defensivos. O barro impede a circulação de máquinas e nuvens carregadas impossibilitam o sobrevôo da lavoura. Fertilizantes são diluídos pela chuva e carregados pelas enxurradas, prejudicando a absorção da planta. Outro problema causado é a piora na condição das estradas goianas. Várias rodovias estaduais e federais que cortam o Estado e são rota do escoamento da produção estão interditadas.

Para maiores informações, basta entrar em contato com a FAEG pelo telefone (62) 3096-2200.