Coletor de esporos de fungos descarta aplicações fúngicas

Aparelho monitora a infecção da ferrugem asiática na soja antes que ela atinja a lavoura

Kamila Pitombeira
Sanidade Vegetal

Desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina, o coletor serve para identificar o fungo antes que ele apareça ou infecte a lavoura de soja. Além disso, ele facilita a vida do agricultor que não precisa mais realizar aplicações preventivas de fungicidas. O equipamento foi divulgado no Show Rural Coopavel 2011, que aconteceu entre os dias 7 e 11 de fevereiro, na cidade de Cascavel (PR).Com um cooler que funciona como exaustor, o aparelho também conta com um tubo de PVC de 100 milímetros e um conjunto de lâminas de microscópio com fitas adesivas dupla-face, responsáveis pela coleta dos esporos.

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 — Como ele tem um cano PVC e um cooler na extremidade posterior, ele força a passagem do ar. Além disso, como a ferrugem é um dos fungos disseminados principalmente pelo vento, o coletor de esporos tem um papel fundamental para a identificação dela antes que ocorra o ataque à lavoura — explica Vicente Werner, engenheiro agrônomo do Instituto Emater.

Segundo o engenheiro, o maior benefício que o coletor traz é a economia. Ao utilizá-lo, o agricultor somente aplicará o fungicida no momento em que detectar a presença do fungo, já que ele aparece primeiro no coletor e depois na lavoura. Normalmente, o agricultor desinformado faz as aplicações preventivas. Portanto, essa aplicação é feita sem a presença do fungo.

Werner afirmou também que o agricultor deve utilizar o equipamento no momento da implantação da cultura. Assim, ele pode saber se o fungo está presente no ar ou não. Mas é necessário ressaltar que a nova técnica só identifica os fungos presentes no ar. Os mais comuns deles, são os asiáticos. Além do equipamento, é preciso contar com profissionais treinados em laboratório capazes de fazer a leitura do material coletado.

— Existem profissionais da Emater que estão sendo treinados para realizar a leitura desses fungos nas lâminas e para escolher o momento certo da aplicação do fungicida nas culturas de soja — diz Werner, que explica que uma vez detectada a presença de fungo na lâmina, são analisadas as condições climáticas, favoráveis ou desfavoráveis ao estabelecimento da infecção na lavoura. Com isso, o agricultor pode determinar a utilização ou não de fungicida contra a ferrugem, principal doença que ataca a cultura da soja atualmente.

Segundo o engenheiro, as pesquisas começaram há aproximadamente oito anos com uma tecnologia trazida pelo Japão, que já faz uso de equipamentos para monitorar a cultura do arroz. Foi feita então uma adaptação para permitir o uso dessa técnica na cultura da soja. O equipamento ainda não foi patenteado, portanto o custo não está definido. Mas, segundo Werner, ele consiste em uma estrutura de ferro simples com um cano de PVC de mais ou menos 1m, um cooler e um pequeno transformador para permitir seu acionamento. Com isso, o custo de construção do coletor gira em torno de 200 reais.

Para mais informações, os interessados devem entrar em contato com a Emater Paraná pelo telefone (41) 3250-2100.

Reportagem originalmente publicada em 15/02/2012