Com boa produtividade, colheita de grãos de verão se encerra no RS

Estimativas de todas as culturas se mostram bem acima do que foi apresentado em setembro de 2016

Adriane Bertoglio Rodrigues, Emater/RS-Ascar
Agronegócio

A safra de verão 2016/2017 no Rio Grande do Sul se encaminha para o final, sendo beneficiada pelo clima, que favorece a colheita de grãos, que se encaminha para o final. De acordo com o Informativo Conjuntural da Ematr/RS-Ascar, a colheita da soja e do milho atinge 90% das áreas cultivadas, o feijão de primeira safra está todo colhido e o arroz chega a 84%, estando todas as culturas em alinhamento com a média dos últimos cinco anos, para esta fase. Também é considerado bom o desenvolvimento do feijão de segunda safra, com cerca de 30% de área colhida e 25% das lavouras maduras para tanto.

Quanto à produtividade obtida, as estimativas de todas as culturas se mostram bem acima do que foi apresentado em setembro de 2016, indicando que o Estado colherá novamente uma das maiores produções obtidas até o momento. Os números finais da safra 2016/2017 deverão ser divulgados na segunda quinzena de maio próximo, quando serão lançadas as primeiras projeções para as culturas de inverno.

Olerícolas
Aipim/Mandioca

Já iniciou a oferta de mandioca deste ano diretamente do consumidor nas Missões e Fronteira Noroeste. Essa oferta, ainda que de forma tímida, promove o aumento dos preços em função da baixa oferta e alta procura por parte dos consumidores. Há perspectiva de uma boa safra em função do grande número de raízes nas plantas. Alguns produtores estão relatando o apodrecimento das raízes em consequência da alta umidade do solo.

Cebola
Momento de intensos trabalhos na Serra gaúcha, especialmente na preparação de canteiros para sementeiras e para a semeadura de variedades precoces. Embora a safra passada tenha sido uma das melhores em volume produzido, calibre e sanidade dos bulbos, predomina um sentimento de frustração pelo quadro de baixa precificação do produto, gerando uma disposição de reduzir a área a ser cultivada. Nos galpões, a conservação da cebola continua sendo beneficiada pelas baixas temperaturas e presença constante de vento.

Criações
Pastagens

As pastagens de verão, como o sorgo forrageiro, milheto e capim sudão, encontram-se em final de ciclo, com perda acentuada da qualidade e redução de oferta para os animais. As pastagens de inverno ainda não estão disponíveis para o pastoreio, ocorrendo um vazio forrageiro na maioria das propriedades.

As lavouras de milho para silagem apresentam excelente crescimento, com muita qualidade e quantidade de grãos, estando em fase final de ensilagem. Outra oferta de forragem importante desta época são as restevas de arroz recém-colhidas, que já se encontram em pastoreio, antes das primeiras geadas.

Bovinocultura de corte
O rebanho apresenta um bom escore corporal, em função da ótima disponibilidade e distribuição de chuvas no verão. Com a chegada do frio, a tendência é estabilizar o ganho de peso dos aimais. O estado sanitário do rebanho de maneira geral é bom. A época é de desmame dos terneiros e de mineralização do rebanho.

Bovinocultura de leite
O verão e o início do outono apresentaram uma condição muito favorável para o pleno desenvolvimento das pastagens, tanto nativas com cultivadas, fazendo com que os produtores obtenham bons índices de produtividade, diluindo o custo de produção. Esta entressafra de pastagens – o vazio forrageiro - é notada na grande maioria das propriedades, que ainda persistem em não plantar forrageiras perenes. Onde se tem pastagem perene (tifton-85, jiggs), o aporte forrageiro ainda é mantido, ainda que haja perda de qualidade. De maneira geral, os rebanhos apresentaram boas condições nutricionais.

A produção de leite está em queda nas pequenas propriedades, devido à redução no fornecimento de alimentação. O volume recolhido pelas empresas teve uma queda de 5% a 8%, em algumas regiões. A incidência de leite instável não ácido (Lina) começa a aparecer, o que é característico nesta época de entressafra de forragem. Percebe-se o aumento do número de produtores que estão fazendo uso da homeopatia para mastite.