Durante debate realizado no dia 15 de dezembro, pesquisadores do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec) e professores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da USP discutiram o uso do composto alfa tomatina como fungicida para o combate ao fungo causador da vassoura-de-bruxa do cacaueiro. O trabalho ainda está em sua fase inicial, com testes realizados em laboratório, o que não significa que a substância terá efeito na inibição da doença surgida no Estado da Bahia em 1989. Apesar de ainda não ter chegado a território nacional, outra enfermidade que tem causado preocupação nos pesquisadores é a monilíase, que já alcançou plantações em países como Venezuela, Colômbia e Peru.
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Coordenador geral técnico científico da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Manfred Müller comenta que, por enquanto, a vassoura-de-bruxa é a grande preocupação dos cacauicultores. Estima-se que a perda produtiva por ano, dependendo da região, pode variar entre 35 e 50% e que alfa tomatina pode ser uma alternativa, mas só depois de todos os testes levados a campo. Enquanto isso não acontece, é importante que o proprietário rural ataque em várias frentes de contenção da doença, com controles químico, físico, biológico e cultural.
— Temos produtos elaborados em laboratório para altas infestações, cuja eficiência não é total e possuem custo elevado. Já no que diz respeito à genética, trabalhamos com bastante eficiência na criação de clones tolerantes à vassoura-de-bruxa. Oferecemos 39 clones resistentes, sendo 14 recomendados também pela alta produtividade. No controle biológico estamos em fase de registro do Tricovab pelo Ministério da Agricultura, que é uma ferramenta que impede que o fungo se reproduza. E, por fim, aconselhamos as podas fitossanitárias três vezes ao ano — enumera Manfred Müller, completando que essas ações devem ser integradas.
Histórico das doenças
A vassoura-de-bruxa chegou ao Brasil há mais de 100 anos, na região Amazônica. Müller compara a doença à ferrugem, no café, e ao amarelinho, nos citrus, por conta da sua praticamente impossível eliminação. Quando ataca as plantações, a vassoura atinge folhas e flores e danifica os frutos em 100%. Causada por fungo do mesmo gênero, mas de outra espécie, a monília ainda não cruzou as fronteiras brasileiras, o que, para o coordenador da Ceplac, é uma questão de tempo. Por conta disso, o Governo Federal tem tomado medidas para retardar o avanço.
— As medidas que o país está tomando são prospecções anuais em vários pontos de prováveis introduções da doença, ou seja, regiões de fronteira seca em que o acesso do país vizinho é fácil ou em fronteiras com trânsito muito grande entre habitantes, particularmente na região do Peru. Temos tido cuidado também com as importações de sementes que possam trazer os esporos da monília. É um perigo iminente pois há a possibilidade do fungo vir de carona nas variedades. Estamos enviando materiais genéticos para os países vizinhos, em acordo de colaboração técnica para que seja testada a tolerância em relação à monília. Com isso, quando ela chegar ao Brasil, teremos condição de combatê-la com melhor eficiência — observa Manfred Müller.
Ao contrário da vassoura-de-bruxa, a monilíase só ataca o fruto do cacau. Além disso, a diferença entre as duas espécies está nos esporos, órgãos reprodutores do fungo, que podem permanecer em ambientes sem umidade por mais de seis meses, enquanto os da vassoura suportam apenas dois dias de baixa umidade relativa. Portanto, o agricultor deve estar atento ao fazer visitas a outros países, incinerando suas roupas e desembarcando em locais onde não há produção de cacau, como no Estado de Goiânia. Além disso, Müller ainda ressalta que os materiais genéticos devem ser comprados dentro do próprio Brasil.
— Neste ano, o país pode chegar a produzir cerca de 220 mil toneladas de cacau, o que nos traz uma notícia alentadora, pois desta forma precisaremos importar tanto da Ásia, da Malásia ou da África, o que dificulta a entrada de outras pragas. Em 2009, o Brasil importou 87 mil toneladas, este ano só 32 mil — conclui o funcionário da Ceplac.
Para maiores informações, basta entrar em contato com a Ceplac pelo telefone (61) 3966-3250.