Como diminuir o sobe e desce dos preços do feijão

Produtores estão ávidos por oportunidades de plantio que não impliquem na oscilação enorme de preço

Marcelo Eduardo Lünders
Agronegócio

Preço de feijão alto para o consumidor. Desestímulo ao consumo. Estamos falando de 2010, mas poderíamos estar falando de 2008. Por outro, lado produtores implorando pela ajuda do governo e preços abaixo do mínimo, estamos  falando de 2009. E assim segue o mercado brasileiro do feijão.

Uma reflexão fria sobre a situação aponta que a raiz do problema conjuntural  que ocorre na cadeia produtiva do feijão precisa ser tratada. Dependemos de feijão carioca quando sobra não pode ser exportado e quando falta não de onde trazer. A semana passada o mercado apontava pra algo em torno de US$ 1400 por tonelada e, naquele momento, o brasileiro, se conhecesse o feijão consumido no mundo afora  - o pinto beans  (paulistinha no Brasil),  poderia estar pagando 40 % a menos na gôndola - detalhe  com o mesmo sabor e cor do feijão carioca.

As empresas de pesquisa e desenvolvimento de novas cultivares já trabalham com afinco em feijões gourmet ou exportáveis. Os produtores estão ávidos por oportunidades de plantio que não impliquem na oscilação enorme de preço: precisam de algo mais previsível.  O que não temos ainda é uma maneira de financiar a comunicação ao consumidor. No momento em que ele souber que pode ter o mesmo feijão com todas as características nutricionais do carioca por um preço melhor não há duvida que optará por um feijão levemente diferente. A cadeia produtiva entende que o governo que tem interesse tanto em preservar os produtores quanto tem interesse em salvaguardar o bolso do consumidor terá bons motivos para comunicar ao cidadão que ele pode manter o feijão em sua dieta ao preço justo. 

Ainda lembram alguns, o Ministério da Saúde tem o dever de ao constatar queda no consumo, com óbvio prejuízo a saúde e também ao erário, incentivar o consumo destes feijões gourmet. O Instituto Brasileiro do Feijão em recente contato com o National Dry Bean Council apresentou um plano para desenvolver o consumo destes feijões do Brasil.  A iniciativa foi acolhida muito bem e deverá render frutos em breve.

Este mecanismo já foi utilizado no México que desenvolveu o habito de consumir estes feijões e, agora, quando existe déficit de produção, busca no mercado internacional suprir-se pelo menor custo. Somente com iniciativas com esta que vão direto ao âmago da questão, poderão em breve diminuir as oscilações abruptas  que beneficiam apenas os especuladores e prejudicam o restante da cadeia produtiva.