O feijão-fava tem relativa importância econômica e social, por causa da sua rusticidade. Seu cultivo na região Nordeste é um tanto rústico, sendo plantado consorciado com milho, mandioca ou mamona, tomando as plantas dessas culturas como suporte.
Embora apreciado pela culinária nordestina, o consumidor sabe que se trata de um alimento que exige cuidado no cozimento. O feijão-fava precisa ser submetido à cocção entre três a cinco vezes, com total substituição da água utilizada. Isso porque existe a toxicidade, atribuída à presença de ácido cianídrico, e que confere o sabor amargo ao produto e que deve ser eliminada.
A fim de avaliar a toxicidade do feijão-fava, pesquisadores da Embrapa Meio-Norte realizaram a análise nutricional de sementes de sete variedades, sendo quatro (Bege-clara, Branca, ‘Chata e Rajada’ e Rajada), adquiridas no mercado público de Teresina (PI), e três (Bege-escuro, Preta e Pintada), multiplicadas na base física do centro de pesquisa.
As variedades Branca, Bege-clara e Rajada apresentaram maior toxicidade (115-150 partes por milhão), enquanto a ‘Chata e Rajada’ se apresentou menos tóxica (15-25 partes por milhão).
Além do teor de ácido cianídrico, foram estudadas nesse trabalho outras variáveis como o peso de 100 sementes; a porcentagem de matéria seca das sementes; e as porcentagens de proteína, cálcio, fósforo, extrato etéreo (gordura), fibra bruta, cinza e extratos não nitrogenados.
A média do peso de 100 sementes foi 66,61 gramas; sendo a fava ‘Chata e Rajada’ (90,05 gramas por 100 sementes) a que mostrou maior peso médio e a Branca (47,39 gramas por 100 sementes), o menor. Com relação à matéria seca das sementes, o máximo foi apresentado pela fava Rajada (92,80%) e, o mínimo, pela Bege-clara (90,25%), com uma média das sete variedades de 91,42%.
A média de cálcio das sete variedades foi 0,056%, enquanto a de fósforo foi 0,297%. Com relação à proteína, os teores máximos foram apresentados pelas variedades Bege-clara (26,70%) e Branca (26,19%) e, a menor, pela variedade Pintada (17,95%).
A média de porcentagem de extrato etéreo (gordura) das sete variedades foi 1,06%, sendo que a Bege-escura (1,42%) apresentou o maior teor e a Bege-clara (0,88%), o menor. A média de teor de fibra das sete variedades foi 3,90%, sendo que a variedades Bege-escura (4,59%) apresentou-se mais fibrosa e a Preta (2,27%), menos fibrosa.
Com relação ao teor de cinzas, os extremos máximo e mínimo ficaram com as variedades ‘Chata e Rajada’ (4,10%) e a Rajada (3,06%), com uma média das sete variedades de 3,52%.