Conclusões do Simpósio sobre o Programa Nacional de Produção de Biodiesel apontam principais perspectivas para o setor

Dos aspectos produtivos e econômicos da soja até a plataforma nacional de agroenergia

Embrapa Meio Ambiente
Agroenergia

O Grupo de Estudos “Luiz de Queiroz” – GELQ, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" – Esalq/USP (Piracicaba, SP) promoveu em 17 e 18 de novembro, com o apoio da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), o Simpósio sobre o Programa Nacional de Produção de Biodiesel – pesquisas, impactos e perspectivas, em Piracicaba, SP.

O programa abordou o manejo da cultura da soja, o biodiesel no cenário brasileiro, aspectos econômicos do setor da soja, panorama de fontes de bioenergia, uso de resíduos da produção de biodiesel e rotas alternativas para a transesterificação; aquecimento global e biocombustíveis, mudança do uso da terra, avaliação de impactos e gestão ambiental na produção de oleaginosas para biodiesel, soja sob a ótica da ecologia industrial, diferenças e similaridades do setor de biodiesel alemão e brasileiro, inovações na produção de biodiesel no Brasil, biodiesel e a indústria automobilística e a plataforma nacional de agroenergia.

As apresentações realizadas durante o Seminário, resumidas a seguir, estão disponíveis em http://www.gelqesalq.com.br/Site/portal.php?secao=palestras.

Mauro Osaki da Esalq/USP, falou sobre a demanda da soja no mundo e principais desafios do setor, além de detalhar as soluções tecnológicas e os desafios da produção dessa oleaginosa que, ao longo daqueles dias em que ocorreu o Seminário, com o clima favorável em todo o Brasil, vinha sendo semeada ao passo de quase um milhão de hectares diários.

A produção mundial de soja no último ano ficou em 255 milhões de toneladas, enquanto o consumo atingiu 222 milhões. China e EUA são os principais consumidores mundiais. Enquanto que os principais países exportadores são Brasil e EUA. A China é o país que mais importa soja. 55% das exportações brasileiras são para a China, principalmente óleo. O consumo de óleo de soja aumentou 12% ano a ano na última década.

O Brasil está exportando mais grão de soja do que seus derivados, sinalizando pouco investimento no parque agroindustrial. Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Minas e São Paulo são os estados que mais processam óleo vegetal. A soja é a oleaginosa mais esmagada no Brasil, seguida pelo algodão.

Thaís Vieira também da Esalq/USP, falou sobre rotas alternativas para transesterificação, que devem atender a padrões de qualidade. Sua principal questão foi "Biodiesel é renovável?"

Segundo ela, há pontos a considerar na cadeia produtiva. As vantagens do processo por solvente renovável, como o etanol de cana-de-açúcar, elimina a etapa de destilação de solventes – com redução no consumo energético. Elimina também a necessidade de degomagem e a neutralização do óleo para a transesterificação. Thaís abordou também o teor de sólidos em biodiesel de diferentes matérias-primas, a viabilidade técnica e econômica da produção, processos viáveis pela rota etílica ou metílica, e a rota estratégica para o Brasil com o etanol. As principais matérias-primas utilizadas no país são soja, algodão, sebo, óleo de fritura, gordura de porco e frango.

Thiago Romanelli Esalq/USP transcorreu sobre os panoramas das fontes de bioenergia, seus aspectos físicos, econômicos e ambientais. Trouxe ao debate a crítica de que o aumento de eficiência energética não adiaria o previsto esgotamento das fontes não renováveis, por causa de elasticidades na demanda. Por isso, a busca por sustentabilidade das fontes de energia deve motivar-se por objetivos maiores, não apenas restritos à oferta de energia, mas em consideração a outros valores naturais a preservar. Ressaltou que o caminho está sinalizado, já que a matriz energética brasileira tem 45% de proveniência de fontes renováveis.

Gualter Rezende Barbosa da Dedini S/A Indústrias de Base falou sobre o que não é biodiesel. Óleo vegetal ou animal, mistura de etanol com diesel, hidrogenação e fracionamento de óleos com cargas de refinaria de petróleo, produto da reação química entre álcool e óleo vegetal ou animal com o propósito de substituir integral ou parcialmente o biodiesel. Apresentou, então, soluções industriais para produção de biodiesel de diversas origens, tecnologicamente provadas para o Brasil, como ácido graxo de palma, sebo bovino, integração bioetanol e biodiesel, sebo e óleos vegetais, de soja, de palma, de pinhão manso, além de matérias-primas de baixo custo como gordura animal, óleo de fritura usado, óleos ácidos, ácidos graxos destilados, óleos vegetais de alta acidez, algas, etc.

As diversas matérias-primas possuem características intrínsecas que influenciam na especificação final do biodiesel. Como a matéria-prima representa mais de 80% do custo de produção, é importante que as plantas de biodiesel estejam preparadas para operar com matérias-primas diversas e que os processos industriais sejam flexíveis para processar os diversos tipos de matérias- primas, mas faltam ainda algumas soluções agrícolas competitivas em grande escala.

Peter Zuurbier da Wageningen University and Research Centre discutiu combustíveis alternativos de fontes renováveis. O consumo mundial de óleo vegetal, com prevalência do óleo de palma, seguido pelo de soja em 2008-2009. A soja é a mais importante matéria-prima para o biodiesel no Brasil e Argentina, mas não para os países da União Europeia, onde o óleo de canola predomina. A sustentabilidade do processo abrange os temas meio ambiente, balanço de energia, balanço de carbono, biodiversidade e emissões de gases de efeito estufa, uso da água, fertilizantes, além dos aspectos sociais e condições socio-econômicas.

José Fernando Menten da Esalq/USP abordou o uso de resíduos da produção de biodiesel – glicerina na alimentação animal. De acordo com ele, foram 230 milhões de litros de glicerina produzidos como co-produto em 2010. A aplicação na alimentação animal da glicerina obtida da produção de biodiesel (bruta ou loira) é uma alternativa segura para destinar o excedente do produto. Com as limitações impostas pela qualidade da glicerina e quantidade de inclusão nas rações, seu uso na alimentação animal vai depender de considerações econômicas.

Daniel Furlan Amaral da ABIOVE - Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais falou sobre a conjuntura atual e as perspectivas do biodiesel no Brasil. O Brasil já é o terceiro maior produtor mundial d