A Associação Brasileira de Pós-colheita (ABRAPOS) e a cooperativa COCAMAR abriram nesta terça-feira, 14, a VI Conferência Brasileira de Pós-colheita (VICBP2014) e o VIII Simpósio Paranaense de Pós-colheita de Grãos, que seguem até dia 16 de outubro, no Centro de Eventos Excellence, em Maringá (PR). Os eventos reúnem mais de 800 profissionais vinculados ao setor de pós-colheita de grãos e 150 expositores.
Na abertura do evento estavam presentes as seguintes autoridades: presidente da Abrapós, Irineu Lorini; coordenador do evento e superintendente de Operações da Cocamar, Osmar Liberato; prefeito em exercício de Maringá, Cláudio Ferdinando; vice-presidente de Gestão e Operação da Cocamar, Divanir Higino da Silva, representante do Sistema Ocepar; chefe geral da Embrapa Soja; José Renato Bouças Farias; professor de economia da Unicamp e ex-ministro da Agricultura, Luis Carlos Guedes Pinto; chefe do escritório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Maringá, Brandizio Dario Júnior e o chefe do Núcleo Regional da Seab, Romoaldo Faccin.
Para Luiz Carlos Guedes Pinto, que fez a palestra de abertura do evento, o setor de pós-colheita tem como grande demanda melhorar a qualidade do processo de recepção do que se produz no campo, ou seja, garantir a manutenção da qualidade do que é colhido nas unidades armazenadoras. O grande gargalo é que o Brasil produziu, na safra 2013/14, 195,5 milhões de toneladas de grãos, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, a capacidade armazenadora é 148,3 milhões de toneladas. "Estamos aquém do necessário para atender à produção brasileira, mas talvez o mais grave seja a localização dessas unidades armazenadoras, porque a distribuição delas no País não está adequada em função da expansão das novas áreas de produção", ressalta. Guedes atribui a dificuldade em ampliar a capacidade armazenadora no Brasil devido à lentidão no processo burocrático de realização de obras públicas. "É um processo lento, mas estamos em marcha e espero que a gente avance bastante e dentro de 5 anos o cenário seja diferente".
Especificamente no Paraná, segundo produtor de grãos do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, a produção de grãos, na safra 2013/14 foi de 34 milhões de toneladas (soja, milho e trigo), porém, a capacidade armazenadora é de 27,8 milhões de toneladas. "Toda cadeia produtiva precisa investir em melhoria de estrutura para recebimento dos grãos, principalmente nas regiões produtoras", afirma o presidente da Abrapos, Irineu Lorini. "Associado a esse problema é preciso capacitar a mão de obra que atua nessas unidades armazenadoras, principalmente em função dos processos de automação dos equipamentos", afirma.
Com relação a segurança alimentar, outro tema debatido na Conferência de Pós-Colheita, Guedes Pinto reforçou a necessidade de se investir na produção de alimentos para que se possa atender à demanda mundial crescente. No caso do Brasil, especificamente, "o problema da fome está mais relacionado à distribuição de renda do que à nossa capacidade de produzir alimentos", reforça.
O agronegócio no Brasil representa, em dados de 2013, de 22% a 24% do PIB nacional e ainda responde por 37% a 43% das exportações. O setor é responsável por gerar entre 36% e 40% dos empregos no País.
A Conferência Brasileira de Pós-Colheita tem a cooperação de várias instituições do setor de pós-colheita brasileiro, sendo a maioria cooperativas - C.Vale, Coamo, Agrária, Cotriguaçu, Castrolanda, Integrada, Cocari, Batavo, Comigo, Cooperalfa, Coopavel, Copacol, Lar - Caramuru Alimentos, Fiagril, UFV, UFSC, Codapar, Ceagesp, Feagri-Unicamp, Conab, Embrapa; CNPq, Capes, Abcao, Sistema Ocepar-Sescoop e OCB.
Mais informações: http://www.abrapos.org.br/eventos/cbp2014/