BRASÍLIA . Apesar das dificuldades que se anunciam nas negociações da Rio+20, há diferenças em relação a Rio 92 que podem ser celebradas. Entre elas, estão o aumento da participação da sociedade civil e o maior engajamento dos empresários. Além disso, há blocos importantes formados por nações emergentes, como o Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com forte peso nas decisões mundiais.
Como tem ocorrido nos últimos fóruns internacionais, o Brasil negocia em grupo. Nesse caso, atua juntamente com o Grupo dos 77, que reúne países em desenvolvimento e economias menos favorecidas, caso dos africanos.
- Esse é um grupo com o qual temos que fazer a primeira negociação, para que as nossas ideias sejam acolhidas e levadas à conferência por meio do porta-voz do grupo (a Argélia). Temos tido grande êxito nisso - disse o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, secretário-executivo da Comissão Nacional da Rio+20.
O grupo europeu também negocia unido. Mas há países que agem individualmente, como EUA, Rússia, Japão e Austrália.
Cúpula é ponto de partida para inovações
O embaixador lembrou que a Rio+20 será um ponto de partida para processos, como os objetivos de desenvolvimento sustentável. Para ele, um dos pontos mais importantes será a aprovação de alterações na área da governança internacional, com uma adequação da ONU aos novos tempos.
- Esperamos o estabelecimento do paradigma do desenvolvimento sustentável nas suas dimensões econômica, social e ambiental, o que não existe hoje na ONU. Essa integração será um legado da Rio+20 - enfatizou Figueiredo. - Até porque nós encaramos a Rio+20 não apenas como 1992 mais 20 anos, e sim, como 2012 mais 20 anos. A conferência lança um olhar para o futuro e busca um paradigma de sustentabilidade que permita ao mundo continuar a se desenvolver e ao mesmo tempo proteger a base natural.
Ele lembrou que a tendência é que cada país se adeque aos novos conceitos conforme sua realidade. O exemplo mais forte é o da economia verde:
- Economia verde não pode ser um conceito fixo, um modelo que serve para todo mundo, um tamanho único. Cada um tem que ter sua visão e a consciência de que a economia verde é um dos caminhos para se chegar ao desenvolvimento sustentável e à erradicação da pobreza.
Ao mesmo tempo, o Brasil negocia, informalmente, o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O que se quer, esclareceu Figueiredo, é uma instituição que ajude, efetivamente, os países a cumprirem suas obrigações ambientais.