Conferência internacional discute biocarvão como ferramenta para combater o aquecimento global

Cerca de 300 cientistas de todo o mundo são esperados de 12 a 15/09, no Rio de Janeiro/RJ, para a 3ª Conferência Internacional sobre Biochar, um dos assuntos mais debatidos entre a comunidade científica na área de solos nos últimos anos

Katia Pichelli - Embrapa Florestas
Artigos

Biochar, conhecido no Brasil como biocarvão, é um material rico em carbono obtido quando algum tipo de biomassa, como madeira, palha, bagaço, ossos, esterco ou folhas, é carbonizada, ou seja, aquecida em ambiente com pouco ou nenhum ar, e o carvão resultante é usado como condicionador de solos. Isso proporciona um solo de melhor qualidade, que permite aumentos de produtividade, além de sequestrar e estocar carbono no solo por longo tempo, uma importante ferramenta no combate ao aquecimento global. Atualmente, são discutidas formas de produção de biochar para aplicação direta pelo produtor rural, uma opção de baixo custo e simples, que pode ser utilizada de imediato.

A produção de biochar está estreitamente associada à cadeia de bioenergia, como a do carvão, e a dos processos de pirólise para a produção de bio-óleo, entre outras. Os finos de carvão das carvoarias, por exemplo, que até recentemente eram considerados resíduos do processo, hoje são de grande valor para uso agrícola. Para o Brasil, o uso do biocarvão no solo é também uma estratégia econômica, pois o país é o maior produtor mundial de carvão vegetal (cerca de 38,5%). Anualmente, são produzidos no país em torno de 10 milhões de toneladas de carvão, dos quais cerca de 15% se perdem na forma de finos.

Dessa forma, ganha o ambiente pela substituição de uma matriz energética não-renovável, os combustíveis fósseis, por bioenergia; pela reciclagem de resíduos; e pelo aumento dos estoques de carbono estável no solo. Ganha também a economia, pelo aumento da produtividade das lavouras e pela redução no uso de fertilizantes químicos.

Esta é a primeira vez que o evento é realizado no continente americano, com destaque para as presenças do pesquisador alemão Johannes Lehmann (Universidade de Cornell, EUA), do austríaco Winfried Blum, da Confederação Européia de Sociedades de Ciência do Solo (ECSSS) e do Dr. Antony Bridgwater, pesquisador britânico, grande autoridade em pirólise (tratamento térmico de carbonização).

A palestra de abertura será realizada pelo professor Laércio Couto, da Universidade Federal de Viçosa, que foi premiado em agosto/2010, na Suécia, como o pesquisador que mais contribuiu para o desenvolvimento na área de bioenergia no mundo nos últimos anos, concedido pelos organizadores do WorldBioenergy 2010.

Excursão à  Amazônia
Logo após o evento, será realizada uma excursão à Amazônia para que os participantes conheçam as Terras Pretas de Índios, solos muito férteis formados por povos indígenas pré-colombianos que hoje servem como modelo e inspiração para a tecnologia do biocarvão. O estudo desses solos ajuda a compreender como as civilizações do passado atuaram para a melhoria da fertilidade do solo e  serve de inspiração na procura de tecnologias que reproduzam esses solos especiais.

A Conferência é organizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, por meio de suas Unidades Solos (Rio de Janeiro/RJ), Florestas (Colombo/PR), Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás/GO) e Amazônia Ocidental (Manaus/AM) e pela International Biochar Innitiative. Tem apoio da Embrapa, CAPES, FAPERJ, CNPq e Consulado Geral Britânico, e patrocínio de Anthroterra, Clean Air Task Force, BlackCarbon, ALL Power Labs, Biochar Engineering Corporation, CarbonZero, Chip Energy, Pacific Pyrolysis, Richmond Landcare Inc, The United Nations Foundation, Earthscan e Portal Dia de Campo

Mais informações sobre o evento, biocarvão e Terras Pretas de Índios podem ser encontradas em:
http://www.ibi2010.org/inicio