O território baiano concentra mais de 80% da mamona produzida no Brasil. Tradicionalmente atrelada à agricultura familiar, a ricinocultura começou a despertar o interesse de outros Estados da federação a partir do lançamento do Plano Nacional de Biocombustíveis, do Governo Federal, em 2004. Os resultados mais recentes do trabalho de melhoramento e adaptação serão discutidos durante o IV Congresso Brasileiro de Mamona, entre os dias 7 e 10 de junho, em João Pessoa, na Paraíba. Integrante da equipe de pesquisas da Embrapa Algodão, Márcia Nóbrega, revela que duas cultivares de porte baixo adaptadas a diversas regiões e uma variedade de porte médio moderadamente resistente ao mofo cinzento devem ser recomendadas no próximo ano.
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— Temos trabalhado de acordo com as características das áreas de produção, então buscamos resistência à seca, tolerância ao alumínio e salinidade. Vamos desenvolver junto a grupos de todo país, variedades mais precoces, indeiscentes e que possam ser colhidas tanto manualmente quanto mecanicamente. Quanto aos estresses bióticos, o princípio é o combate às doenças e pragas atuantes no país, como mofo cinzento, fusarium, macrofomina, percevejo verde e cigarrinhas. Estamos tentando adequar a cultura às condições de outros locais, conduzindo ensaios de densidade de plantio, época, controle de plantas daninhas. O objetivo é adequar as cultivares para aumentar o zoneamento — explica.
A pesquisadora ressalta o viés socioeconômico do projeto, que visa potencializar a produtividade no setor para garantir maior rentabilidade com menos recursos financeiros. Palestras e mini-cursos abordarão avanços tecnológicos relativos aos tratamentos químicos para o óleo e a torta a base de farelo da oleaginosa. Tópicos para aprimoramento do sistema produtivo e desenvolvimento de maquinário próprio também compõem a pauta. A apresentação de uma máquina acoplada a uma bicicleta para descascar mamona nas pequenas propriedades é uma das novidades mais aguardadas do congresso.
— Além de biodiesel, esse óleo tem aplicabilidades únicas na composição de produtos especiais, como por exemplo, um plástico extremamente resistente para revestir cabos de fibra ótica e painéis de carro. Na indústria, o óleo é usado desde a fabricação de medicamentos para combater câncer e AIDS, até óleo lubrificante para máquinas e aeronaves — diz ela.
Iniciativa das unidades Algodão e Agroenergia da Embrapa em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca da Paraíba, o evento tem o apoio do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e outras instituições.