Considerações sobre a cogeração no setor sucroalcooleiro

A bioeletricidade, obtida com resíduos da cana, tende a se firmar no mercado como um novo subproduto da agroindústria canavieira, especialmente no Estado de São Paulo.

Margareth Santos
Agroenergia

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) tem se mostrado um fator incentivador de novos investimentos em cogeração de eletricidade pelo setor sucroalcooleiro. O sucesso se deve a dois aspectos muito importantes. No âmbito global, a contribuição na redução de emissões do dióxido de carbono (CO2) pelo setor energético, que em termos mundiais é o que mais contribui para poluição do ambiente. E no âmbito local/regional, o aumento na capacidade instalada de gerar termoeletricidade, garantindo certa independência da hidroeletricidade, sobretudo durante a safra.

A bioeletricidade, obtida com resíduos da cana, tende a se firmar no mercado como um novo subproduto da agroindústria canavieira, especialmente no Estado de São Paulo. Afinal, além da expansão do cultivo da cana-de-açúcar, que se traduz no aumento da produção do etanol, crescem também os investimentos na cogeração de energia para exportação de excedentes para o sistema elétrico nacional.

Possibilidades futuras para a bioeletricidade da cana apontam fatores estimuladores na esfera do Governo Federal, tanto em termos de planejamento do setor de energia, quanto nas questões regulatórias do setor. Espera-se fomentar a participação da eletricidade de biomassa na matriz energética nacional. Para tal, alguns problemas técnicos necessitam ser solucionados a curto prazo, como os relacionados ao uso do palhiço e à participação do setor no mercado comercial de  eletricidade.

Em relação à sustentabilidade ambiental da cogeração devem ser avaliados aspectos nos processos de instalação de novas usinas, assim como o monitoramento das já existentes. Essa avaliação deve considerar toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, tendo em vista a bioeletricidade com um produto novo dessa cadeia.


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