Consórcio de braquiária com lavouras é nova prática de manejo de solo levada a agricultores no PR

Emater PR
Manejo
A constante sucessão da cultura da soja com o milho segunda safra tem gerado algumas preocupações entre os agricultores das regiões do Paraná onde este sistema é adotado. Além de não ser suficiente para garantir a produtividade das lavouras, a prática tem prejudicado, e até mesmo eliminado, medidas importantes de conservação do solo, como a rotação de culturas e a cobertura eficiente do solo por plantas vivas ou mortas durante o ano todo.
 
Mesmo com o uso do sistema de plantio direto, o solo vem sofrendo com a erosão hídrica e a proliferação de plantas daninhas. Uma das saídas, segundo os técnicos, pode estar no plantio de braquiária nas regiões onde as condições climáticas permitem, em consórcio com o milho segunda safra ou como adubo verde no período do outono e inverno .
 
A prática aumenta a cobertura do solo com palha, diminui a degradação das áreas agricultáveis e melhora a produtividade das lavouras. A novidade está sendo divulgada entre os produtores pelos extensionistas do Instituto Emater numa série de reuniões e dias de campo. Os técnicos também estão instalando Unidades de Referência em diversas regiões, para mostrar aos agricultores os benefícios do consórcio.
 
Esta iniciativa faz parte de uma grande ação do Instituto Emater para enfrentar os problemas de solo no Estado neste ano, considerado pela ONU o Ano Internacional do Solo. Os encontros com produtores já foram realizados nas regiões de Cascavel e Toledo. Nesta semana será a vez da região de Londrina e em outubro, Francisco Beltrão e Tomazina.
 
Atividades
Na quinta-feira, dia 17, agricultores se reuniram numa tarde de campo na propriedade de Paulo Caus, na Microbacia do Ribeirão Jacutinga, em Ibiporã. Cerca de 50 produtores de Sertanópolis, Londrina e Ibiporã debatem a situação do solo e alternativas de melhoria do sistema de cultivo. O plantio direto é feito na propriedade há 21 anos e a área foi escolhida para a instalação de uma Unidade de Referência com o consórcio com braquiária.
 
Sérgio Carneiro, do Instituto Emater de Londrina, informou que a prática tem dado bons resultados. Segundo ele, a braquiária inibe o surgimento de plantas invasoras, protege o solo contra as chuvas e ainda forma palha para o plantio de verão. “Nós ainda estamos analisando os resultados econômicos desse consórcio. Mas é possível adiantar que a braquiária evita ao menos uma aplicação de herbicida, o que já é economia para o produtor. Além disso, o consórcio é uma forma eficiente de fazer o controle da buva, invasora resistente a herbicidas”, explicou o extensionista.
 
Na sexta-feira (18), um outro grupo de produtores se reuniu na fazenda Santa Verinha, em Alvorada do Sul, para ver de perto essa nova prática de manejo do solo. Em outubro, o assunto deve ser analisado por produtores durante dois encontros em Santa Isabel do Oeste (dia 8) e na Unioeste (dia 21) quando os técnicos vão debater a conservação do solo. Ainda no mesmo mês o Instituto Emater fará um treinamento com 120 extensionistas que trabalham com produtores de grãos em Londrina.
 
Histórico
Não é de hoje que o Paraná ataca de frente os problemas de degradação do solo. Nos anos 70 a erosão assustava os produtores e comprometia a produtividade da agropecuária do estado. A Extensão Rural então implantou o programa de Manejo de Solos em Microbacias e manteve o problema sob controle.
 
Ao longo do tempo, o sistema de plantio direto foi disseminado entre os produtores. Houve uma confiança excessiva nessa prática que faz a semeadura com revolvimento mínimo do solo e mantendo a maior parte da palhada sobre o solo. No entanto, os terraços foram retirados das propriedades para facilitar o trabalho de cultivo. O resultado foi o reaparecimento da erosão, principalmente a partir do início deste século.
 
Ganhos
Problemas como perda de solo, assoreamento e poluição de rios se agravaram, colocando em risco os recursos naturais e também a produtividade das lavouras. Para reverter esta situação, o Instituto Emater, juntamente com outras instituições do governo estadual, implantou o Programa de Gestão de Solo e Água em Microbacias, cujo objetivo é adotar medidas para controlar a erosão e preservar os recursos hídricos.