Consórcio entre espécies interessa a longo prazo

Cultivo de plantas medicinais e hortaliças em uma mesma área traz benefícios aos produtores, mas não altera a produção de fitomassa e óleo essencial

Breno Fonseca
Hortaliças

A diferença entre o cultivo consorciado e o monocultivo. Essa é a comparação feita pelo estudo da pesquisadora Janaína Ribeiro Oliveira, do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), utilizando plantas medicinais e hortaliças cultivadas em uma mesma área. Para isso, ela combinou melissa e manjericão com cenoura e alface americano em diferentes níveis no intuito de verificar a produção de fitomassa e óleo essencial das plantas medicinais quando desenvolvidas em um mesmo canteiro que as hortaliças.

A pesquisa foi realizada no ICA, em Montes Claros (MG), em uma área experimental. Para isso, a pesquisadora recorreu a um delineamento em blocos casualizados, com sete tratamentos e cinco repetições. Primeiramente, foi feita semeadura da melissa, em bandeja de isopor. Já as mudas do manjericão foram plantadas por estaquia, enquanto a cenoura, por semeadura direta, e a alface americana, em sementeira. Após essa fase inicial, o transplantio em campo das mudas e a avaliação foi iniciada. As mudas medicinais foram recolhidas depois de 90 dias e levadas para laboratório, quando foram pesadas a matéria fresca e seca e extraído o óleo essencial. Duas plantas foram colocadas em cada canteiro, combinando as duas espécies de plantas medicinais com as duas hortaliças.

A observação de Janaína Oliveira é de que houve crescimento na produtividade da melissa quando consorciada. Contudo, tanto para o teor de óleo quanto para matéria fresca ou seca não houve diferença. Ao contrário do manjericão, que sofreu queda de produtividade quando semeado sozinho.

— Quando a gente pensa que não houve diferença significativa para a produção de matéria fresca, seca e teor de óleo, podemos concluir que a melissa não perdeu nada quando consorciada, assim como o manjericão. Pode-se inferir que o consórcio é favorável para o produtor porque pode-se colocar uma cultura a mais num mesmo canteiro –  conclui a pesquisadora. Janaína ainda ressalta que, com o consórcio, o produtor obtém uma diversificação de culturas, além dos benefícios de autorregulação do sistema, do controle natural de plantas espontâneas e do controle natural de pragas.