Contenção de pragas através do consórcio

Alface americana não é beneficiada quando cultivada em conjunto com plantas medicinais

Breno Fonseca
Agricultura Familiar

A influência do consórcio sobre a população de insetos praga e inimigos naturais. Este é o principal ponto discutido na pesquisa “Entomofauna influenciada pelo consórcio entre hortaliças e plantas medicinais”, de Janaína Ribeiro Oliveira, do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Implantado em maio de 2008, o experimento foi realizado de junho a outubro do mesmo ano. Segundo a pesquisadora, o trabalho serve para a análise da diferença da chamada entomofauna em plantas cultivadas solteiras ou em consórcio.

A primeira avaliação foi feita 15 dias após a implantação do experimento e realizado quinzenalmente no ICA da UFMG. O consórcio entre as hortaliças cenoura e alface e as plantas medicinais melissa e manjericão foram feitos em  dez tratamentos com cinco repetições. O solo foi preparado e, 15 dias após o transplantio, foram avaliadas as populações da entomofauna. Janaína destaca que, durante a operação, surgiram moluscos na alface americana, que acabaram sendo analisados também.

Foram totalizadas três provas para a alface e cinco para a cenoura, melissa e manjericão, pois a primeira espécie foi colhida um mês depois do transplantio, enquanto as outras três, após 90 dias. Em seguida à contagem direta, os insetos foram levados para laboratórios, identificados e quantificados. Foram encontrados dez insetos, contando com exemplares de lesmas. Para o inseto Diabrotica speciosa houve diferença estatística nos resultados, com maior quantidade na alface monocultivada, assim como as lesmas e lagartas (Spodoptera frugiperda). A quantidade dos demais inimigos naturais e insetos não sofreu variação para os dois tipos de cultivo. Já para a cultura da cenoura, nenhuma modificação foi codificada. E, por último, a menor variedade insetos foi detectada no manjericão e na melissa. Janaína Oliveira explica, portanto, que o consórcio não favorece a alface americana quando o assunto são os predadores.