Contenção individual evita perda de vacinas

Porcentagem de desperdício cai de 14% para 3% com o manejo adequado da aplicação em bovinos

Kamila Pitombeira
Sanidade Animal

Existe significativa diferença entre aplicar a vacina e imunizar os animais. Imunizar envolve, mais que simplesmente injetar um produto via subcutânea ou intramuscular, o conhecimento sobre a necessidade do tratamento adequado do animal. Isso porque, em situações de estresse, a eficiência da vacina pode chegar à insignificância, o que é explicado por processos químicos que ocorrem dentro do organismo do bovino. Para evitar que a vacinação perca sua eficácia, é preciso atentar para alguns cuidados, como o local adequado de aplicação, por exemplo, e o uso de um equipamento de contenção individual, o que evita a perda de vacinas, passando de 3% contra 14% quando se utiliza o brete coletivo.

Segundo Renato dos Santos, médico veterinário e consultor técnico da Beckhauser, as vacinas devem ser conservadas em caixas térmicas com gelo e temperatura entre 2°C e 8°C, evitando assim variações térmicas. É necessário ainda que todas as pessoas responsáveis por aplicar as vacinas leiam seus rótulos, bulas e observem as informações sobre data de validade e modo de aplicação.

— Por exemplo, o produto é perecível à luz solar. Portanto, deve ser aplicado à sombra e no local certo. A legislação brasileira prevê que as aplicações injetáveis em bovinos devem ser feitas da ponta da paleta ao terço médio do pescoço. Isso é dificultado quando a contenção do animal não é feita adequadamente — afirma o médico veterinário.

Ele explica ainda que a aplicação feita em troncos coletivos também prejudica bastante a qualidade da aplicação. Isso porque obriga os peões a injetar o produto em outros locais. É necessário, portanto, fazer uso de um equipamento de contenção individual, o que evita a perda de vacinas, que passa a ser de 3% contra uma média acima de 14% no caso da utilização do brete coletivo. Já o tempo gasto para a aplicação, é bastante semelhante.

— A escolha da agulha também influencia no sucesso da vacinação. No caso das vacinas mais líquidas, por exemplo, o mais indicado é a utilização de agulhas finas. As lojas sabem como orientar sobre esse processo, assim como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que disponibiliza um livreto onde constam orientações sobre a escolha da agulha e outros cuidados que devem ser tomados antes e depois da aplicação — conta o entrevistado.

Santos esclarece que os mamíferos, quando estressados, produzem hormônios, como a adrenalina e o cortisol, um hormônio que tem como objetivo impedir a entrada de corpos estranhos no organismo. De acordo com ele, o bovino, especialmente, produz muito cortisol em situações de estresse. Isso faz com que, em animais estressados por conta de um manejo inadequado, a vacina apresente um resultado insignificante.

Para mais informações, basta entrar em contato com a Beckhauser através do número (44) 3421-1000. Mais informações sobre o livreto disponibilizado pelo MAPA podem ser obtidas através do número 0800-704-1995.