Controle biológico da lagarta do cartucho

Embrapa Milho e Sorgo estuda o Bacillus thuringiensis (Bt) como alternativa de controle a insetos lepidópteros pragas da cultura do milho, principalmente no caso da lagarta do cartucho, Spodoptera frugiperda.

Redação
Doenças

A Embrapa Milho e Sorgo vem estudando o Bacillus thuringiensis (Bt) como alternativa de controle a insetos lepidópteros pragas da cultura do milho, principalmente no caso da lagarta do cartucho, Spodoptera frugiperda, causadora de danos significativos na lavoura.
 
O trabalho inclui o levantamento de cepas de Bt em diferentes regiões do Brasil, incluindo áreas produtoras e não produtoras de milho, abrangendo diferentes tipos de solos e culturas ou qualquer outro micro-clima (resíduos de grãos, insetos mortos, solos de clima árido e semiárido). Além disso, o estudo se estende à melhor eficiência de aplicação deste patógeno como bioinseticida na cultura do milho.
 
Em relação a este último aspecto, a primeira recomendação da Embrapa Milho e Sorgo é que a cultura deve ser monitorada semanalmente para se detectar o nível de ataque da lagarta do cartucho na lavoura. Em determinadas regiões o ataque desta praga se inicia uma semana após a germinação das sementes, o que faz com que o produtor precise conhecer os sinais iniciais do ataque na cultura do milho.
 
Conforme a Embrapa Milho e Sorgo, deve-se também respeitar a arquitetura da planta de milho, que cresce verticalmente, e, havendo necessidade, deve-se realizar aplicações semanais do biopesticida do mesmo modo como é feito com o uso de produto químico. Outro aspecto é que as pulverizações devem ocorrer sempre à tarde para se evitar uma maior incidência de raios UV (ultravioletas). Os raios UV são um dos principais fatores de inativação do biopesticida a campo.
 
Um ponto a ser considerado ainda, segundo a Embrapa Milho e Sorgo, é usar uma quantidade maior de água, ou seja, o trator realizando aplicação com velocidade reduzida e 300 litros de água por hectare, molhando completamente as plantas de milho. Isso porque o produto deve conseguir atingir o inseto dentro do cartucho, local preferido da lagarta.
 
Adicionalmente, essa quantidade de água deve ser combinada com a utilização do espalhante adesivo para melhorar a qualidade da aplicação, uniformidade da calda e fixação do produto na folha. Vale lembrar que, se a umidade relativa do ar estiver muito baixa e as gostas muito pequenas, pode-se perder muito com a evaporação da calda antes mesmo de o produto atingir a folha.
 
De acordo com a Embrapa Milho e Sorgo, o que ocorre muitas vezes é que o produtor, para ter um maior rendimento, faz a aplicação com uma quantidade muito pequena de água e uma maior velocidade do trator, o que resulta em má aplicação de qualquer produto, tanto químico quanto biológico, não realizando, deste modo, um controle satisfatório da lagarta do cartucho.