O manejo integrado de fungos de solo é uma das linhas de pesquisa que vem ganhando espaço nos meios científicos.
Dentre os fungos de solo, a murcha-de-fusarium, cujo agente é Fusarium oxysporum f. sp. Phaseoli, é conhecida como causadora de podridões radiculares, acarretando danos expressivos em culturas como a do feijoeiro, quando pode ocasionar queda na produtividade, principalmente sob condições de ambiente propícias.
A literatura especializada no assunto considera que os fungicidas têm contribuído para o combate à doença, entretanto, os defensivos encontram-se às vezes relacionados ao aumento dos custos da produção, contaminação de alimentos e do meio ambiente e à crescente resistência dos microrganismos fitopatogênicos aos produtos sintéticos.
Com o objetivo de estudar alternativas de controle da murcha-de-fusarium dentro da perspectiva do manejo integrado de fungos de solo, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF) testou o efeito antagonista in vitro de 10 isolados de Trichoderma sp. contra F. oxysporum f.sp. phaseoli e estudou as interações in vitro entre o patógeno e o agente de biocontrole por microscopia eletrônica de varredura (MEV), visando a futuros trabalhos no biocontrole da doença.
Para os experimentos foram utilizados os isolados de Trichoderma sp. da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (CEN 287, CEN 288, CEN 289, CEN 290, CEN 293, CEN 295, CEN 298, CEN 299, CEN 301 e CEN 302) e F. oxysporum (C-03-01).
Na avaliação in vitro do antagonismo de Trichoderma sp. em cultura pareada, dentre os 10 isolados de Trichoderma sp., CEN 289, CEN 288 e CEN 290 foram os que apresentaram maior antagonismo, reduzindo o crescimento médio do patógeno a valores significativamente inferiores aos demais tratamentos.
Aos sete dias, os três isolados colonizaram pelo menos 66,66% da superfície do meio de cultura, inibindo fortemente o desenvolvimento de F. oxysporum. CEN 287 mostrou um alto grau de antagonismo, sobrepondo colônias de F. oxysporum e colonizando 66% da placa de Petri.
Em relação à verificação do hiperparasitismo de Trichoderma sp. sobre F. oxysporum, imagens de MEV mostraram colonização do patógeno, o qual foi completamente enrolado e amarrado pelas hifas do antagonista. Conídios do isolado de Trichoderma (CEN 287) foram observados sobre hifas de F. oxysporum. Os dois tipos de interações verificados podem ser considerados como hiperparasitismo.
Em virtude dos isolados de Trichoderma sp. (CEN 289, CEN 288 e CEN 290) terem apresentado antagonismo in vitro a F. oxysporum f.sp. phaseoli, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia recomenda mais estudos para avaliar a capacidade antagônica em condições de casa-de-vegetação e campo.