O I Workshop sobre Controle Biológico para a Região Clima Temperado reuniu centenas de pessoas na última sexta-feira, dia 30, para debater temas importantes do controle biológico de artrópodes, plantas daninhas e doenças de plantas. O pesquisador Dori Edson Nava, um dos organizadores do evento e coordenador do grupo de discussão sobre artrópodes diz que falta patrocínio às pesquisas e biofábricas que comercializem as tecnologias produzidas. Um dos programas que podem ser mais desenvolvidos na Região é o uso de vespinhas para combate de insetos-praga na fruticultura. Nava acredita que o projeto que pode ter maior incentivo financeiro em curto prazo é a expansão do uso da vespinha Trichogramma galloi contra a mariposa oriental que ataca o pessegueiro.
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— Um ponto que precisa ser melhorado e pode ser mudado em um curto prazo de tempo seria a questão do manejo integrado de pragas na fruticultura. O que nós queremos melhorar aqui na nossa região é o uso da vespinha Trichogramma galloi, que tem sido utilizada tanto na região Sudeste para o controle da broca da cana-de-açúcar e para o controle da lagarta do cartucho do milho. Hoje, existem cerca de 3 mil hectares sendo tratados, mas a vespinha na verdade é um inseto generalista dentro do grupo de mariposas e nós poderíamos utilizar muito bem esta vespinha para o controle da mariposa oriental em pessegueiro e contra as lagartas incrussíferas. Este pode ser um projeto que será submetido aos órgãos financiadores rapidamente — explica Nava.
Um ponto crítico no controle biológico de artrópodes não só na Região Clima Temperado como em todo o Brasil é a falta de investimentos na área. Nos últimos anos, a área ganhou mais atenção dos pesquisadores e as tecnologias têm sido desenvolvidas, no entanto são poucos os programas de controle biológico na maior parte do país. As tecnologias são desenvolvidas, no entanto faltam bioindústrias que as comercializem. A falta de recursos afeta também as parcerias e o subsídio do governo, que ainda é pequeno, segundo Nava. O que mais preocupa os especialistas ainda é a livre utilização de produtos químicos nas lavouras, que não só podem contaminar as plantações como não têm conseguido resolver o problema das pragas.
— Nós temos uma grande preocupação com o uso de produtos químicos porque o Brasil é o maior consumidor de químicos do mundo e ainda temos um problema sério dos produtos químicos que são contrabandeados. Como o problema de pragas não para de aumentar, alguma coisa está errada nesta questão de manejo de pragas. Isso vale não só para a Região de Clima Temperado como para o resto do País. Uma das formas de a gente evitar este crescimento, que eu considero abusivo, é você criar alternativas subsidiando programas de controle biológico ou outros métodos que não agridam o meio ambiente — critica.
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