Controle biológico de pragas favorece exportações

A técnica de manipular bioagentes para controlar pragas na agricultura evita impactos ambientais e preserva os alimentos de resíduos tóxicos. Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Luiz Alexandre Nogueira de Sá revela que as culturas da laranja e eucalipto vêm apresentando resultados bastante relevantes.

Nivea Schunk
Sanidade Vegetal

A técnica de manipular bioagentes para controlar pragas na agricultura evita impactos ambientais e preserva os alimentos de resíduos tóxicos. Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Luiz Alexandre Nogueira de Sá revela que as culturas da laranja e eucalipto vêm apresentando resultados bastante relevantes. 

— Através do Laboratório de Quarentena, temos introduzido agentes de controle biológico. Trazemos esse material do seu local de origem e realizamos a limpeza dos contaminantes. No caso da larva minadora do citros, causadora do cancro cítrico, utilizamos uma vespa da Flórida, Estados Unidos, e alcançamos bom nível de equilíbrio — exemplifica.

Um dos maiores problemas no ramo de papel e celulose é o psilídeo-de-concha. Oriundo da Austrália, sua disseminação no país ocorreu a partir do interior de São Paulo e tem sido contida através da ação de um parasitóide mexicano. No entanto, o percevejo bronzeado, recém chegado ao Brasil pelas fronteiras argentinas, também oferece riscos aos hortos florestais de eucalipto. Segundo Alexandre, a severidade da nova praga provavelmente exigirá a introdução de um novo inseto de controle.    

"O método reduz o
 gasto com insumos
 químicos e gera
 produtos limpos"

 Luiz Alexandre de Sá,
 Embrapa Meio Ambiente

Os experimentos inicialmente laboratoriais são implementados em condições controladas para, em seguida, serem transferidos às casas de vegetação. Ao chegarem aos ensaios de campo, os indivíduos liberados sob uma estratégia previamente determinada precisam se estabelecer nas plantações.

O mais importante é que esses organismos permaneçam se alimentando dos insetos-alvo para manter a sustentabilidade do processo. A estabilidade desse ciclo evita a necessidade de repetir o procedimento frequentemente, tornando-os disponíveis nas propriedades.

— De fácil multiplicação, a sobrevivência desses inimigos naturais depende de certos fatores, principalmente relacionados ao clima. É necessário considerar temperatura, umidade e características específicas dos indivíduos para garantir resultados efetivos do combate — explica ele.

Dados mais recentes demonstram um índice de controle que varia entre 60% e 70%  nas culturas observadas. O pesquisador ressalta ainda que além de reduzir os custos com insumos químicos, o método eleva o potencial competitivo dos produtores no mercado agrícola, à medida que disponibiliza produtos limpos e de alta qualidade.