Controle da micoflora em sementes de amendoim

A contaminação das sementes de amendoim por uma microbiota fúngica pode ocorrer durante a formação do grão, na colheita, no transporte e no armazenamento

Margareth Santos
Defensivos

Com o objetivo de avaliar a toxidade do extrato de hidroalcoólico de sucupira contra fungos presentes em sementes de amendoim, armazenados dentro e fora do fruto, a Embrapa Algodão realizou estudos conclusivos sobre a eficiência da aplicação do extrato no controle da micoflora, especialmente com as sementes armazenadas dentro do fruto.  A contaminação das sementes de amendoim por uma microbiota fúngica pode ocorrer durante a formação do grão, na colheita, no transporte e no armazenamento.

Os fungos, em condições favoráveis, podem deteriorar com rapidez as sementes e produzir metabólitos tóxicos, como os Aspergillus – de maior incidência no amendoim. Isso reduz a qualidade sanitária, física e nutricional das sementes. Os fungos têm sido controlados com produtos químicos, entretanto, seu uso indiscriminado causa resistência a muitos microorganismos presentes na massa da semente armazenada, sobretudo, à alta frequência de aplicações de dosagens incorretas.

Os resultados revelaram para as sementes não tratadas a ocorrência de A. Flavus (100%), A. ninger (96,66%) e Rhizopus (100%), para as armazenadas fora do fruto; e 16,66%, 20% e 0%, dos mesmos fungos, respectivamente, para as armazenadas dentro do fruto. Para as sementes tratadas com o extrato de hidroalcoólico de sucupira, o controle deu-se da seguinte forma: 80,01% (A. Flavus), 80 (A. Ninger) e não houve incidência de Rizophus para as sementes armazenadas dentro do fruto. Para as armazenadas fora do fruto, 63,64% (A. Flavus), 3,44% (A. Ninger) e 66,67% (Rhizopus).

Diante da propriedade inibitória do extrato hidroalcoólico de sucupira sobre o desenvolvimento micelial de fungos, e da importância das espécies dentro do grupo Arpegillus, que apresentam potencial para síntese de aflatoxina, as sementes da BRS Havana foram tratadas com o extrato na concentração de 100%, acondicionadas em embalagens permeável de algodão e armazenadas em condições ambientais durante seis meses.

Empregou-se o “blotter-test” na determinação e avaliação da micoflora, usando-se dez sementes por repetição em cada placa de petri contendo dois discos sobrepostos de papel de filtro umedecido com água destilada. A leitura aconteceu no oitavo dia após incubação, em temperatura ambiente. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado, com três repetições.