A resistência a produtos antiparasitários do Haemonchus contortus é um dos principais problemas na criação de ovinos e caprinos no país. O parasita, que se alimenta de sangue, é responsável pela anemia hemorrágica dos animais, interferindo no processo digestivo e causando perda de peso, edema mandibular e emagrecimento progressivo. Para o controle das doenças gastrointestinais, a Universidade de Passo Fundo trabalha há seis anos com o método Famacha na região do Planalto do Rio Grande do Sul.
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A professora Maria Isabel Botelho Vieira explica que, com a metodologia, é possível avaliar a necessidade de tratamento das verminoses gástricas. Os ruminantes são acompanhados em períodos de 14 a 18 dias, levando-se em consideração as condições climáticas de cada região, já que temperatura e umidade são fatores que facilitam a proliferação dos nemátodos. Ela alerta que o produtor rural deve estar atento, sobretudo, às propriedades com grandes rebanhos.
O método Famacha é feito através de uma cartela, que mostra cinco níveis de coloração. Com essas cores, o pecuarista pode identificar na mucosa ocular inferior dos animais o grau de anemia. Para as duas primeiras colorações, não é necessário tratamento fármaco. Já a partir do nível três é preciso identificar com um médico veterinário quais os remédios a serem utilizados. Patenteado por dois pesquisadores da África do Sul, o cartão pode ser adquirido pelos ovino e caprinocultores pelo preço de R$30 a R$40.
— Nosso trabalho é feito desde 2004 e o principal resultado obtido foi a redução de custos com tratamentos. É um fato positivo não só pela diminuição no uso de fármacos, e com isso reduzimos a resistência parasitária, mas também o impacto ambiental, pois quanto menos produtos utilizados menor é a quantidade de resíduos que vão para o ambiente e para a carne dos animais — afirma Maria Isabel, destacando ainda que, com o surgimento do Famacha, os proprietários rurais podem reduzir os tratamentos de seis para duas vezes ao ano.
A coordenadora do curso de medicina veterinária da Universidade de Passo Fundo ressalta que outra ferramenta importante de diagnóstico é o uso de dados de ovos por grama de fezes (OPG), um aliado importante ao método sul africano. Ela diz o Famacha não deve ser aplicado sozinho e, sim, servir como mais uma alternativa, assim como outras técnicas de pastoreio rotativo ou alternado com outras espécies de ruminantes.
Os pecuaristas podem adquirir o cartão Famacha com os professores Marcelo Beltrão Molento, da Universidade Federal do Paraná, pelo telefone (41) 33505618 e Maria Isabel Botelho Vieira, de Passo Fundo, pelo (54) 3316-8485 ou pelo e-mail [email protected].
